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Começou bem, ficou ainda melhor, sofreu um primeiro contratempo, deixou-se levar numa bola de neve, acabou goleado. Rui Vitória viveu quase todos os estados de espírito ao longo de 90 minutos, da euforia à depressão, da tristeza à esperança. No final, sobrou a resignação. E se é verdade que o Spartak voltou a ter uma exibição melhor em termos ofensivos comparando com o que fez no início da temporada, a defesa ainda é o grande calcanhar de Aquiles da equipa russa, que perdeu em Moscovo com o Leicester por 4-3 num jogo carregado de grande simbologia pela data e onde chegou a ter dois golos de vantagem.

Num dia em que se assinalaram 39 anos do desastre do Luzhniki Stadium, quando pelo menos 66 pessoas entre os quais muitos adolescentes perderam a vida esmagadas nas bancadas num encontro da Taça UEFA frente aos neerlandeses do Haarlem (embora existam investigações não oficiais feitas sobretudo a partir de 1989 que apontam para um total acima de 300 vítimas), o Spartak tentava prolongar o bom momento com três vitórias e um empate no dérbi com o Dínamo e até começou da melhor forma, num triunfo que poderia colocar os moscovitas em boa posição de apuramento na Liga Europa. Em dez minutos, tudo mudou.

Depois de uma primeira ameaça de Daka, o nome que seria a grande figura do encontro, Sabolev inaugurou o marcador à passagem do décimo minuto num remate que desviou ainda na defesa dos ingleses e traiu Kasper Schmeichel. O Leicester reagiu, tentou acercar-se da baliza russa que teve sempre um Maksimenko muito seguro e acabou mesmo por sofrer o segundo golo com muitas culpas próprias depois de uma perda de bola em zona comprometedora de Çaglar Söyüncu que permitiu a Victor Moses assistir Larsson na área para o 2-0 que colocava o Spartak em grande posição para somar a segunda vitória na prova (44′).

Tudo apontava para o intervalo quando o conjunto de Brendan Rodgers conseguiu ainda reduzir logo no minuto seguinte, numa bola colocada nas costas da defesa para o remate de Daka (45′). Estava dado o mote para uma reviravolta que seria assinada em poucos minutos após o descanso perante a entrada em falso dos moscovitas: o avançado zambiano bisou num desvio na área após cruzamento de Iheanacho (47′) e fez a reviravolta em mais um lance que passou pelos pés do inevitável James Maddison, sempre com demasiado espaço para receber, virar e poder distribuir jogo sem uma pressão direta na bola (54′).

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O encontro tinha mudado de vez o seu cariz, com o Leicester bem mais confortável na partida e a visar as saídas rápidas para o ataque como a que originou o 4-2, de novo com Maddison a assistir o dianteiro que foi contratado esta temporada do Red Bull Salzburg (79′). Sabolev, após outro passe cirúrgico para zona de finalização na área de Moses, ainda reduziu mas os ingleses iriam segurar um triunfo importante após a derrota com o Legia de Varsóvia num grupo que conta ainda com o líder da Serie A, o Nápoles.