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Se é certo que o futebol está a mudar através dos milhões que aparecem de empresas, consórcios, fundos de investimento e até países inteiros, também é certo que o futebol está a mudar a partir da crescente juventude dos jogadores. Na última década, os jovens estreiam-se nas equipas principais cada vez mais cedo, os clubes apostam em jogadores cada vez mais novos e os mesmos milhões das empresas, dos consórcios, dos fundos de investimento e dos países inteiros servem cada vez mais para contratar esses miúdos ou para os blindar com cláusulas de rescisão astronómicas.

Os exemplos mais recentes, logo à partida, são Pedri e Ansu Fati, que com 18 anos renovaram nos últimos dias pelo Barcelona e ficaram ambos com cláusulas de mil milhões de euros. João Félix, antes de completar 20 anos, já tinha custado 126 milhões ao Atl. Madrid. Mbappé, com 20 anos, custou 180 milhões ao PSG. E Rodrygo e Vinícius, quando custaram cada um 45 milhões de euros ao Real Madrid, tinham 17 e 16 anos. Os maiores clubes europeus investem cada vez mais e cada vez mais cedo — e o último a decidir liderar esse comboio foi o Arsenal.

Pedri renova até 2026 e fica com cláusula de rescisão de mil milhões de euros, a mais alta de sempre no Barcelona

O clube inglês acabou de assinar com Zayn Ali Salman, um jovem jogador que vai integrar as camadas jovens dos gunners e que tem apenas… Quatro anos. De acordo com a BBC, a criança vai assim tornar-se o jogador mais novo alguma vez contratado para a formação do Arsenal e vai dividir os treinos e os jogos com o infantário.

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“Como é normal, colocámo-lo a jogar com miúdos da idade dele, com crianças de quatro, cinco, seis anos, e já estava à frente de toda a gente. É muito mais rápido do que todos os outros e está sempre disposto a lutar pela bola. A forma como remata, como passa a bola, é muito melhor do todos os outros. Falei com o pai dele e colocámo-lo a jogar com os mais crescidos. Porque não? Vamos ver como se dá agora no Arsenal”, explicou Austin Schofield, até aqui treinador de Zayn Ali Salman na academia “First Touch”, à BBC.

Apesar de tudo, o interesse de um clube como o Arsenal não surpreendeu o pai do jovem jogador. “Percebi logo quando nasceu, lembro-me de que a enfermeira até ficou surpreendida porque ele levantou logo a cabeça e começou a olhar em volta. É muito forte desde muito novo. Tem um equilíbrio incrível desde que era uma criança pequena”, atirou. Ora, a tenra idade de Zayn não foi um obstáculo para os gunners, que ouviram principalmente a opinião de Stephen Deans, um olheiro do clube.

“Este miúdo está a fazer coisas que não devia conseguir fazer. A forma como remata… É demasiado complexa para alguém desta idade. Quando o vi, liguei a um amigo e confirmou-me que só tinha mesmo quatro anos. Disse que era impossível, que não podia ser uma criança do infantário. Falei com os pais dele e levei-o a uns treinos”, recordou Deans. A contratação de uma criança levanta inúmeras questões, como a crescente profissionalização precoce do futebol e o facto de um jovem tão novo estar já a ser utilizado para obter resultados desportivos e financeiros, mas a verdade é que o Arsenal não foi o primeiro e não será o último a realizar um negócio semelhante.