O ministro da Defesa disse esta quinta-feira estar “confiante” de que haverá um acordo em torno do Orçamento do Estado para 2022 (OE2022), até porque, argumentou, “todos reconhecem” que um chumbo seria “muito penalizador” para o país, “de múltiplas maneiras”.

Em declarações em Bruxelas à margem de uma reunião de ministros da Defesa da NATO, João Gomes Cravinho, questionado sobre o impasse nas negociações em torno do orçamento e a eventualidade de um chumbo, começou por afirmar que “uma eventual não aprovação seria algo de muito penalizador para o país”.

Lembrando que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, “já indicou o seu entendimento quanto a essa matéria”, ao afirmar que “muito provavelmente” um chumbo do OE2022 levaria à dissolução do parlamento e a eleições antecipadas -, o ministro enfatizou que esse cenário seria penalizador “não particularmente para a Defesa, […] mas para todo o país” e para a sociedade.

João Gomes Cravinho disse concordar com a leitura do ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, que na passada segunda-feira advertiu também para as consequências que uma crise política teria para Portugal na cena europeia, onde a estabilidade tem sido um trunfo.

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“As crises políticas fragilizam sempre os países, nós vemos isso nas nossas reuniões internacionais. Quando um país tem um Governo cessante, quando tem uma situação interna de crise, [vemos] que o país tem muita dificuldade em projetar-se a médio e longo prazo e, portanto, tem muita dificuldade em projetar a sua voz no plano internacional”, disse.

“Com certeza que qualquer circunstância de crise penaliza-nos de múltiplas maneiras, incluindo na nossa capacidade de defender os nossos pontos de vista internacionalmente”, reforçou.

No entanto, João Gomes Cravinho afirma-se “confiante de que as negociações estão atualmente a ter lugar resultarão num acordo”, até porque “todos reconhecem que as consequências [de uma reprovação do OE2022] não têm qualquer tipo de justificação, não seriam justificáveis, e seria penalizador”.

Estou confiante de que até à votação na generalidade haverá um caminho, e depois da votação na generalidade, durante algumas semanas, ainda haverá mais trabalho a fazer para que depois o orçamento seja finalmente aprovado na especialidade”, concluiu.

O Governo entregou no dia 11 à noite, na Assembleia da República, a proposta de OE2022, que prevê que a economia portuguesa cresça 4,8% em 2021 e 5,5% em 2022.

O primeiro processo de debate parlamentar do OE2022 decorre entre 22 e 27 de outubro, dia em que será feita a votação, na generalidade. A votação final global está agendada para 25 de novembro, na Assembleia da República, em Lisboa.

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