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As contas de Portugal no apuramento para o Mundial 2023 de futebol feminino acabam por ser ligeiramente simples: considerando que a Alemanha está ainda num patamar superior, que já perdeu com a Turquia, que já goleou Israel e que a Bulgária é teoricamente inferior, os duelos contra a Sérvia eram preponderantes para a possibilidade de marcar presença num playoff de acesso à competição. E o primeiro acontecia já esta quinta-feira.

A Seleção Nacional de Francisco Neto empatou na Turquia na primeira jornada da qualificação (1-1) e, apesar de ter goleado Israel (0-4) três dias depois, ficou com uma margem de manobra muito reduzida para perder mais pontos. “Teremos de continuar a fazer o que fizemos na segunda parte contra a Turquia e o que fizemos frente a Israel. Temos de estar sempre muito focados, concentrados, porque não podemos desperdiçar oportunidades. Somos uma equipa que não permite muitas ocasiões de golo mas temos de concretizar mais as que criamos. Felizmente, temos novamente os adeptos nas bancadas e a nossa casa tem que ser a nossa fortaleza. Temos de ser muito fortes e não desperdiçar pontos em casa. As nossas jogadoras gostam de sentir o apoio do público e sentimos que cada vez há mais pessoas a acompanharem o futebol feminino”, explicou o selecionador nacional.

A Sérvia chegava a este jogo depois de ter sofrido uma goleada pesada contra a Alemanha (5-1) e Portugal estava no segundo lugar do Grupo H, com quatro pontos, ainda que com mais um jogo do que quatro das cinco adversárias. Mas Ana Borges, uma das capitãs portuguesas, lembrava que a Seleção só tinha de pensar nos próprios interesses para chegar ao Mundial que vai decorrer na Austrália e na Nova Zelândia. “A Sérvia é uma equipa muito forte, com grande potencial, e têm jogadoras a atuar em clubes muito bons. Mesmo assim, só temos de pensar em nós. Se fizermos o nosso trabalho, faremos um bom jogo e um bom resultado. De nada nos serve ganhar à Sérvia e depois perder pontos com equipas mais acessíveis. Todos os pontos vão contar no final e é isso que nos vai permitir estar no Mundial. Só dependemos de nós e sabemos que somos melhores do que elas”, atirou a jogadora do Sporting, que a par de Carole Costa e Dolores foi uma das portuguesas agraciadas com um placa de comemoração das 125 internacionalizações antes do apito inicial.

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No Estádio do Bonfim, em Setúbal, Francisco Neto fazia cinco alterações face à equipa que goleou Israel e apresentava uma espécie de 4x2x3x1 — Dolores e Andreia Jacinto ficavam na zona mais recuada do meio-campo, Andreia Norton aparecia incluída num trio mais ofensivo alinhada com Kika Nazareth e Ana Borges e Diana Silva surgia como referência atacante. Para além do facto de Jéssica Silva, Tatiana Pinto e Fátima Pinto serem todas suplentes, a grande surpresa do selecionador nacional acabava por estar na baliza, onde Patrícia Morais era titular ao invés de Inês Pereira, que tem feito exibições muito positivas pelo Servette tanto na Suíça como na Liga dos Campeões. Do outro, o destaque ia para a central Nevena Damjanović, antiga capitã do Sporting que está agora no CSKA Moscovo, e Jovana Damnjanović, avançada que atua no Bayern Munique.

Ana Borges acredita que “Portugal é melhor do que a Sérvia”

Na primeira parte, a Seleção Nacional demonstrou sempre uma forte desenvoltura ofensiva, principalmente no lado direito com Ana Borges e as subidas da lateral Catarina Amado. Com a presença assídua de Dolores e Andreia Jacinto no espaço à frente da defesa, Andreia Norton soltava-se das tarefas defensivas e funcionava com uma espécie de ’10’ nas costas do ataque. Kika Nazareth, enquanto referência ofensiva, ia realizando um trabalho muito positivo ao ir buscar jogo mais atrás e Diana Silva ocupava o espaço da jogadora do Benfica na faixa central do ataque. Portugal colocou-se em vantagem perto da meia-hora com um bom lance de transição ofensiva: Kika desequilibrou no meio-campo com um grande pormenor, Andreia Norton recebeu no corredor central e fez um passe de desmarcação perfeito para Ana Borges, que rematou à saída da guarda-redes e abriu o marcador (28′).

A Seleção manteve um ligeiro ascendente na partida até à reta final da primeira parte, onde começou a sentir algum desgaste físico e não conseguiu evitar erros posicionais e de saída de bola que acabaram por desembocar no empate. Na sequência de um livre e depois de dois ressaltos, a bola sobrou para Nina Matejić na pequena área e a jovem avançada marcou para a Sérvia (45+2′) mesmo em cima do intervalo.

Nenhum dos treinadores fez alterações no arranque da segunda parte e Portugal acabou por não demorar 10 minutos a colocar-se novamente em vantagem. Ana Borges foi carregada em falta na grande área da Sérvia e Dolores, na conversão da grande penalidade, fez o segundo golo da Seleção (52′). A seleção sérvia teve uma grande oportunidade para empatar pouco depois, com um cabeceamento de Milica Mijatović na área a que Patrícia Morais respondeu com uma grande defesa (57′), e Portugal respondeu na jogada seguinte com um pontapé de Andreia Norton que também forçou Sara Cetinja a uma intervenção atenta (58′).

Francisco Neto fez as primeiras alterações a cerca de 25 minutos do fim, com Jéssica Silva e Tatiana Pinto a entrarem para os lugares de Ana Borges e Andreia Norton, e voltou a mexer já nos últimos 10 minutos para lançar Fátima Pinto e Carolina Mendes e tirar Andreia Jacinto e Kika Nazareth. A Seleção Nacional teve menos bola na fase final da partida e só saía do próprio meio-campo com recurso ao contra-ataque mas acabou por conseguir confirmar os três pontos contra a Sérvia, somando a segunda vitória no apuramento para o Mundial 2023 e mantendo-se no segundo lugar do Grupo H (ainda que com mais um jogo do que Turquia, Sérvia, Israel e Bulgária). Portugal volta a entrar em campo já na próxima terça-feira, dia 26, na deslocação à Bulgária (16h).