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A noite de 30 de setembro e os resultados da Assembleia Geral do Sporting levaram Frederico Varandas, presidente dos leões, a dar um murro na mesa a nível de política interna no clube. Apesar de ter ouvido algumas pessoas defenderem a antecipação de eleições para “aproveitar” o sucesso desportivo da época, o líder recusou sempre esse cenário, considerando que, caso voltasse a ser candidato (algo que já parece decidido mas que se mantém no segredo dos deuses), pretendia ser avaliado por todo o mandato. No entanto, e mais do que nunca, o segundo chumbo dos pontos em causa motivou uma reação mais forte.

Sócios voltam a chumbar Relatório e Contas e Orçamento em AG com críticas de (e para) Varandas – que no final pediu “séria reflexão”

“Acima de tudo, esta noite é a noite ideal para os sócios fazerem uma séria reflexão do que querem do clube e que participação querem ter neste clube. A verdade é que sistematicamente temos um grupo de 400 pessoas que se apresenta sempre nas assembleias, com a sua orientação de voto quer o Sporting seja campeão nacional, quer ganhe a Liga dos Campeões, e estão no seu direito”, começou por apontar então o presidente leonino, a propósito de uma reunião magna que contou com cerca de 750 sócios.

“É um grupo inferior a 1% dos sócios votantes e a pergunta que faço é se os 99% dos sócios votantes querem continuar que uma minoria, que se dirige sistematicamente à assembleia com o insulto e ameaça como argumento, continue a bloquear a gestão do clube. Temos os estatutos, vamos cumprir, mas é altura da grande massa associativa do Sporting pensar no que quer para o clube e que participação quer fazer”, acrescentou ainda Frederico Varandas, que se mostrou agastado com o epílogo da reunião magna.

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Em setembro de 2020, o Relatório e Contas de 2019/20 e o Orçamento para 2020/21 foram chumbados com percentagens entre os 67% e os 69% numa reunião magna que contou com a presença de 3.115 sócios. No mês passado, os Relatórios e Contas de 2019/20 e 2020/21 e o Orçamento de 2021/22 (entretanto o clube foi gerido por duodécimos) mereceram de novo voto contra entre 57% e 60%. À terceira tentativa, Frederico Varandas aposta forte na aprovação por larga maioria dos pontos em causa como forma de resposta ao que cataloga de minoria de bloqueio, muitas vezes ligada ao anterior presidente do clube, Bruno de Carvalho. É por isso que, além do comunicado emitido esta quinta-feira, o clube tem feito outras ações para sensibilizar os associados à participação como o envio de SMS para todos os registados ou os avisos mais ou menos explícitos no texto colocado ao início da tarde no site oficial do clube.

“Realiza-se no próximo sábado, dia 23 de outubro, uma Assembleia Geral de sócios com início às 11h e encerramento às 19h30. Como é do domínio público, o Conselho Diretivo do Sporting Clube de Portugal requereu ao presidente da Mesa da Assembleia Geral que convocasse uma Assembleia Geral (AG) para deliberar sobre os Relatórios de Gestão e as Contas do clube, respeitantes aos exercícios de 1 de Julho de 2019 a 30 de Junho de 2020 e de 1 de Julho de 2020 a 30 de Junho de 2021.”, iniciou o comunicado.

“É entendimento do Sporting que a manifestação massiva dos seus associados para votação de aprovação dos Relatórios de Gestão é da maior importância para o benefício do clube, razão pela qual foi sugerido ao presidente da Mesa da Assembleia Geral que a Assembleia tivesse lugar no mesmo dia do próximo jogo em casa dos campeões nacionais. Cremos, assim, que estão reunidas as condições para que a família sportinguista possa manifestar, de forma plena, a sua posição sobre os referidos documentos, cuja certificação, sublinhe-se, foi reafirmada pelos respetivos auditores”, prosseguiu, a propósito de um dado que nos últimos (largos) anos nunca aconteceu: uma reunião magna em dia de jogo oficial do futebol.

“É essencial fazer notar que a não aprovação dos Relatórios de Gestão, independentemente de não acarretarem nenhuma consequência estatutária direta, dificultam a relação do clube com entidades terceiras, nomeadamente com as entidades oficiais e com as instituições financeiras. Por outro lado, é também importante sublinhar que, sem os referidos documentos, o Conselho Diretivo também não conseguirá apresentar aos sócios a versão consolidada das Contas, fundamental para que os sócios disponham de uma visão de conjunto do Grupo Sporting”, acrescenta, colocando em cima da mesa mais um argumento que nunca tinha sido abordado nas anteriores reuniões magnas: as contas consolidadas.

“Apelamos, pois, a que os associados exerçam o seu direito de voto e que o façam com a dignidade e a elevação que tão bem caracterizam a família sportinguista, sempre cientes de que acima de todos nós está o Sporting. Em virtude da simultaneidade entre a AG e o jogo, e dos respetivos desafios operacionais e de experiência que isso coloca, apelamos também aos sócios que, sempre que lhes seja possível, possam deslocar-se a votar o mais cedo possível, sendo que as urnas estarão abertas a partir das 11h30 da manhã”, concluiu o comunicado sobre o evento que decorrerá no Pavilhão João Rocha, que não irá assim contar com jogos das modalidades este sábado ao contrário do que é habitual e que terá pela primeira vez um período de votação de oito horas quase como se fosse um dia de eleições.