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“Halloween Mata”

Teríamos ficado plenamente satisfeitos com “Halloween” (2018), de David Gordon Green, a continuação direta do filme original de John Carpenter, mas a lei comercial de Hollywood impõe mais uma série, que (em princípio) será concluída com “Halloween Ends”. Por agora, temos “Halloween Mata”, que após um breve salto ao passado, retoma o enredo de “Halloween”, com Laurie Strode, a filha e a neta a caminho do hospital, depois de deixarem Michael Myers preso na cave da casa em chamas daquela. Só que os bombeiros vão estragar tudo e Myers fica de novo à solta por Haddonfield, cuja população se levanta em peso, mas caoticamente, contra o assassino mudo da máscara. Com Laurie fora de ação no hospital, Gordon Green cruza aqui o filme de terror com o de vigilantes e o resultado não é grande espingarda: um monótono fartote de assassínios com “gore” a mais, bastantes pontapés na verosimilhança, dois ou três sustos conseguidos e um final atabalhoado, a dar a Laurie mais uma boa razão para se encarniçar contra o monstro no último filme desta nova trilogia.

“A Ilha de Bergman”

Neste novo filme de Mia Hansen-Love, Tim Roth e Vicky Krieps são um casal de realizadores que se instalam, no verão, em Farö, a ilha em que Ingmar Bergman viveu, filmou e onde está enterrado, para escreverem os seus novos filmes, ele com mais facilidade e menos angústias que ela. Há quem adiante que Hansen-Love está aqui a evocar a sua relação de 15 anos com Olivier Assayas, mas haja essa referência pessoal ou não, “A Ilha de Bergman” é na mesma irritantemente vago e baço, e emocionalmente prostrado, só arrebitando um pouco quando passamos — de sopetão — para o filme dentro do filme (aquele que a personagem de Krieps está a tentar escrever), interpretado por Mia Wasikowska e também ambientado em Farö. O que acaba por ficar de “A Ilha de Bergman” é o seu lado documental, sobre a forma como Farö foi transformada num ‘Parque Bergman’, parte seriamente cultural, parte ludicamente turístico, e a memória e a obra do realizador de “O Sétimo Selo” são cuidadosamente preservadas e mercantilizadas (até se vendem óculos escuros de “A Máscara”, imaginem).

“Duna”

Denis Villeneuve decidiu fatiar em dois filmes o clássico de ficção científica de Frank Herbert já adaptado ao cinema em 1984 por David Lynch, e à televisão em 2000, numa minissérie. Há, aliás, bastantes pontos de contacto entre a versão barroca e “brutalista” de Lynch e esta de Villeneuve, sobretudo ao nível da conceção artística e da construção visual, mas também do desenvolvimento narrativo, e ambas têm respiração épica, horizontes cinematográficos rasgados, espectacularidade, clareza de exposição e um mesmo tratamento da tecnologia. Timothée Chalamet interpreta o papel do jovem Paul Atreides nesta história passada num futuro distante e localizada no desértico planeta Arrakis, no meio de uma luta por uma preciosa especiaria entre casas nobres que fazem parte de um império intergaláctico, e de difícil adaptação ao cinema, pela sua intrincadíssima conceção narrativa e referências políticas, ecológicas e religiosas. “Duna” foi escolhido como filme da semana pelo Observador e pode ler a crítica aqui.

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