O vulcão Cumbre Vieja, em La Palma (Canárias) continua em plena atividade, obrigando à retirada de pessoas e destruindo estruturas humanas. Entretanto, os cães que se encontravam aprisionados pela lava já foram resgatados, mas não se sabe por quem.

O rio de lava tem, pelo menos, quatro braços bem identificados que correm em direção ao mar. Duas extensões de lava a norte (que agora se juntaram numa só) chegaram a La Laguna, na ilha de La Palma, mas abrandaram antes de invadir completamente a povoação. Ainda assim, o perigo obrigou à evacuação da localidade de urgência na quarta-feira à tarde.

Mais próximo da costa, no município de Tazacorte, cerca de 500 pessoas foram retiradas das suas casas devido ao avanço da lava. “Já existe um certo grau de desânimo e desespero, à espera que a força do vulcão diminua”, disse Juan Miguel Rodríguez, presidente do município. Também no município de Los Llanos de Aridane, um dos bairros teve de ser evacuado.

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Apesar de a maior parte da ilha, de 85.000 habitantes, não estar a ser afetada pela erupção, parte da população que vive no lado ocidental tem assistido ao avanço da lava e à destruição das suas casas e dos seus meios de subsistência. Cerca de 7.500 pessoas já foram forçadas a deixar as habitações desde que o vulcão entrou em erupção no dia 19 de setembro.

Cães presos na lava resgatados por desconhecidos

Os animais ficaram presos no município de Todoque depois de a lava ter destruído a localidade. Durante vários dias, duas empresas levaram comida e água aos animais com recurso a drones.

O resgate por via terrestre não era possível, devido à temperatura da lava e aos riscos inerentes à erupção que continua ativa. E o resgate por helicóptero também não se podia fazer, porque o gás quente emanado podia danificar os rotores.

Vulcão de La Palma. Empresas usam drones para levar água e comida aos animais presos no meio da lava

Uma das empresas elaborou então um plano para resgatar os cães, um a um, com recurso a um drone e uma rede. As autoridades de emergência espanholas acabaram por autorizar o resgate esta terça-feira.

Antes que a empresa Aerocamaras conseguisse cumprir a missão, uma tarja improvisada anunciava num vídeo divulgado nas redes sociais que os cães tinham sido resgatados.

Força La Palma. Os cães estão bem. Equipa A”, lê-se na mensagem.

Ainda assim, a empresa voltou a sobrevoar o local e confirmou que os animais já não estavam no espaço e que havia pegadas humanas à volta do quadrado morada que protegeu os cães da lava. A confirmar-se que o resgate foi feito por via terrestre, os executores violaram os limites de segurança impostos pelas autoridades espanholas. Sabe-se que houve um grupo designado por A Team.

Durante a conferência de imprensa desta quinta-feira, o diretor do Plano de Emergência Vulcânica das Ilhas Canárias (Pevolca) criticou que houvesse pessoas a ultrapassar o perímetro de exclusão das escoadas de lava do vulcão que são definidos com o objetivo de proteger as pessoas. No momento do voo da Aerocamaras, a temperatura da lava à volta do local onde estavam os cães era de cerca de 160 ºC — e apenas podia ser acedido com uma câmara termográfica que custa cerca de 180 euros.

50 sismos registados durante a noite

As escorrências de lava já ocupam cerca de 866 hectares, destruíram 2.185 edifícios e ameaçam outros 76, de acordo com medições feitas na última noite com a ajuda do sistema de satélites europeu Copernicus. Desde o início da erupção, 62,6 quilómetros de estrada foram destruídos dificultando o acesso a algumas localidades.

Desde as 22 horas de quarta-feira, a atividade sísmica aumentou ligeiramente, tendo sido registados 50 tremores de terra até ao início da manhã, segundo dados do Instituto Geográfico Nacional espanhol.

O de maior magnitude, de 4,3 na escala de Richter, teve lugar na povoação de Villa de Mazo, a uma profundidade de 37 quilómetros, e foi sentido pela população.

Os peritos do Pevolca já tinham alertado, na quarta-feira, para a possibilidade de novos terramotos desta intensidade, após terem sido sentidos esta semana e na passada vários de magnitude 4,8, os valores mais altos desde que a erupção começou.

A atividade do vulcão mantém-se intensa e as nuvens de dióxido de enxofre chegaram ao norte de África, à Europa e até atravessaram o Atlântico até às Caraíbas. Ainda assim, as autoridades revelam que a qualidade do ar é boa na maior parte da ilha de La Palma. Nos locais mais próximos do vulcão há partículas em suspensão, pelo que se recomenda o uso de máscaras FFP2.

Notícia atualizada às 00h29