O PS fez um acordo com o PSD para formar uma maioria absoluta no executivo da Câmara de Almada, repetindo o entendimento da legislatura anterior, disse esta sexta-feira à Lusa a presidente da autarquia, Inês de Medeiros.

Como tinha anunciado durante e campanha das autárquicas de 26 de setembro, o PS, segundo Inês de Medeiros, contactou “todos os partidos que conseguiram eleger vereadores” (CDU, PSD e BE), “sem nenhum ponto pré-definido” por ser “assim que se deve ir para as conversações”.

“Neste momento conseguimos chegar a um acordo com o PSD, com quem trabalhámos durante quatro anos”, disse a presidente da Câmara de Almada, no distrito de Setúbal, que conquistou um segundo mandato consecutivo no cargo.

A lista encabeçada pela socialista Inês de Medeiros conseguiu cinco lugares do executivo camarário nas eleições deste ano, mais um do que em 2017, data das anteriores autárquicas.

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A CDU manteve os quatro vereadores e o BE continua a ter um.

O PSD elegeu este ano um vereador (menos um do que há quatro anos), Nuno Matias, que encabeçou a coligação AD – Almada Desenvolvida (PSD/CDS-PP/A/MPT/PPM).

Nuno Matias já era vereador e teve, nos últimos quatro anos, o pelouro dos Espaços Verdes, Ambiente e Energia.

Inês de Medeiros disse que a distribuição de pelouros para a legislatura que agora começou será levada a reunião do executivo camarário na próxima semana e remeteu para depois a divulgação pública dessa informação.

A presidente da Câmara de Almada adiantou apenas que Nuno Matias continuará a assumir parte dos pelouros que já tinha, mas que haverá também uma “configuração diferente”, atendendo a que o PSD tinha antes dois vereadores e que, por outro lado, haverá “acertos” na organização dos serviços da autarquia com o objetivo de haver “maior eficácia”.

Inês de Medeiros afirmou que nesta legislatura “a grande prioridade” é o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR, o pacote de verbas europeias para responder à crise gerada pela pandemia da covid-19) e “tudo o que são fundos”, “em particular, na área da habitação”.

Temos de ter serviços mais ágeis, mais preparados para poder responder a essas necessidades”, afirmou.

Sobre as negociações com CDU e BE, Inês de Medeiros disse que não houve entendimentos em relação a pelouros, mas ficou “a porta aberta” para conversações ao longo do mandato.

“No fundo, é essa a postura que eu acho que é importante realçar neste momento”, afirmou, dizendo que nenhuma das quatro forças políticas com vereação em Almada tem, neste momento, “portas fechadas” e será possível “continuar a conversar”.

O BE divulgou na quinta-feira um comunicado em que dizia não poder assumir um acordo em Almada por considerar que os socialistas queriam vincular o Bloco ao programa do PS “sem garantias de autonomia no exercício do pelouro” e por estar em causa a possibilidade de um entendimento também com o PSD.

“Este é um ponto que lamentamos. O PS conhece o compromisso eleitoral do Bloco de Esquerda de não formar maiorias com partidos de direita“, escreveu o BE no comunicado.

Sobre esta posição do BE, Inês de Medeiros disse que “não é esse o espírito da lei autárquica”, que “todos foram eleitos” e não faria sentido excluir nenhum vereador, e “até depois do anterior mandato”.

“Mas a questão aqui é irmos conversando como temos feito nos últimos quatro anos”, sublinhou, dizendo que o primeiro momento para isso será já a elaboração do orçamento camarário para 2022.