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Vinte e quatro horas de paralisação. É essa a meta do protesto marcado para esta sexta-feira, em Lisboa, pelos técnicos do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) que estão em greve contra as más condições, os baixos salários e a falta de formação da carreira. A greve numa altura em que o novo concurso para preencher as vagas por ocupar no INEM continua quase vazio: só um terço das vagas serão, na melhor das hipóteses, preenchidas.

Em dia de paralisação, o Jornal de Notícias dá conta das condições em que decorre o concurso, que foi lançado em abril e começou por receber 940 candidaturas, tendo depois admitido 428 candidatos (o número mais baixo de sempre). Agora, e apesar de o objetivo ser recrutar 178 profissionais, já só há 58 candidatos a passar pelas provas necessárias para a seleção final.

Numa altura em que, como relata o mesmo jornal, ainda falta fazer os exames de saúde aos candidatos, isto significa que no máximo só cerca de um terço das vagas serão ocupadas. As explicações apontadas passam, desde logo, por uma mudança nos critérios de admissão (as notas das provas estarão a baixar), mas também por uma desmotivação relacionada com os salários — o ordenado base é de 750 euros, perto do salário mínimo –, pela falta de formação e de revisão da carreira, tudo motivos apontados também para a paralisação desta sexta-feira.

Além disso, graças à pandemia, estes profissionais deixaram de ter tecto máximo para o número de horas extra que fazem, embora isto deva ser corrigido no Orçamento do Estado para 2022.

Os técnicos de emergência pré-hospitalar do INEM já tinham, aliás, tido uma reunião com o secretário de Estado adjunto e da Saúde para concretizar um acordo sobre a carreira, que já foi redigido em 2018 mas continua por publicar, pelo que as medidas acordadas para “conciliar melhor a vida profissional com a familiar”, melhorar a formação e o material continuam por concretizar, aponta o sindicato.

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O JN acrescenta, aliás, que do concurso de 2019, que recrutou 125 profissionais, 31 já saíram, uma vez que não receberam formação para começarem a tripular ambulâncias.

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