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No final de uma reunião “emotiva” do Conselho Europeu, com a despedida de Angela Merkel, o primeiro-ministro foi questionado sobre a situação nacional e o impasse sobre o Orçamento para o próximo ano, mas Costa continua a dar processo como aberto e amanhã vai reunir-se com o PCP e o Bloco de Esquerda. Avisa, no entanto, a partir de Bruxelas: “O acordo não se obtém a qualquer preço porque não é pago do meu bolso, mas do bolso dos portugueses”.

Antes de embarcar para Lisboa, onde o aguardam várias reuniões políticas de peso — desde o PS aos parceiros com quem procura o necessário acordo para viabilizar o Orçamento –, Costa diz que o seu “otimismo assenta” na racionalidade da vida política: “O país viveu uma situação dramática com a pandemia, que ainda não desapareceu, teve a maior crise económica alguma vez registada, conseguimos enfrentar da melhor forma esta crise (…) e temos neste momento a oportunidade histórica de pôr rapidamente em marcha a transformação estrutural do país em muitos domínios, portanto, num quadro destes, que sentido é que faz criar agora um novo drama? Não vejo a menor racionalidade”.

O primeiro-ministro socialista arrisca mesmo que se fosse feita uma sondagem aos portugueses a questioná-los sobre se concordam com uma crise política neste momento, ” a resposta é não”. Mas, em Bruxelas, a principal mensagem que foi passada por Costa foi mesmo a da responsabilidade orçamental.

E ainda esta quinta-feira o Governo garante ter dado passos neste processo negocial, com a aprovação de três diplomas onde Costa diz que estão as “respostas” aos parceiros de esquerda. O primeiro-ministro salienta que “ainda ninguém formulou uma crítica ao Orçamento” apresentado pelo Governo e diz que o que “os partidos desta vez colocaram em cima da mesa são temas que não têm incidência orçamental direta, mas de outra natureza. E muitas delas tiveram resposta nos diplomas aprovados pelo Conselho de Ministros” esta quinta-feira.

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As nove “aproximações de posições” que o Governo garante ter feito à esquerda. Quase todas parciais

Os partidos já vieram, entretanto, dizer que não viu esse esforço no que foi apresentado pelo Governo. E em Bruxelas, Costa avisou que o país “não pode pôr em causa a credibilidade internacional que recuperou, a sustentabilidade da Segurança Social que recuperou, tem de se lembrar que tem uma das dividas mais elevadas”. Um quadro que o leva a concluir que “o acordo não pode ser a qualquer preço porque é preciso responder de forma responsável ao amanhã”.

Costa garante que a negociação continua e volta a citar Jorge Palma para dizer que “enquanto houver estrada para andar vamos continuar”, argumentado a favor da sua proposta que garante já “espelhar e traduzir questões colocadas por vários partidos, como o tema do desdobramento dos escalões que o PCP tem vindo a defender. Embora a proposta do PCP vá muito além do que foi apresentado pelo Governo nesta matéria.

Mostrou-se atento às declarações feitas pelos comunistas, nomeadamente a de João Oliveira, esta quinta-feira, sobre se valia ou não passar à fase de especialidade. Mas vai mantendo a convicção de que o Orçamento chegará a essa fase e que aí haverá ainda “todo um longo percurso, com centenas de votações”, com “a negociação a continuar até à votação final global”.