A presidente executiva da TAP defendeu esta sexta-feira, em Lisboa, que a subida do preço dos combustíveis tem sempre um impacto negativo nos resultados da companhia aérea, ressalvando que ainda não é possível quantificá-lo.

“O resultado é negativo porque não é algo que pudesse ser previsto”, afirmou Cistine Ourmières-Widener, que falava na Conferência Internacional de Controlo de Tráfego Aéreo, promovida pela Associação portuguesa dos Controladores de Tráfego Aéreo (APCTA).

Cistine Ourmières-Widener adiantou que as companhias aéreas têm a possibilidade de criar uma “maior flexibilidade”, embora não seja uma coisa possível de executar “da noite para o dia”, acrescentando que a TAP está já a consumir menos combustíveis, apesar da dificuldade em controlar os custos.

Questionada sobre o custo que este aumento de preços significou para a transportadora, a presidente executiva da TAP disse que ainda não dispõe de números exatos, apenas projeções que já tinham sido elaboradas. “Não passa de uma projeção. É um exercício difícil”, vincou, sem adiantar mais pormenores.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

O diploma que permite ao Governo limitar margens na comercialização de combustíveis entra esta sexta-feira em vigor.

Diploma que permite limitar margens na comercialização de combustíveis entra em vigor sexta-feira

No documento, fica determinada “a possibilidade de fixação de margens máximas de comercialização para os combustíveis simples”, uma iniciativa do Governo, agora decretada pela Assembleia da República.

Assim, lê-se no diploma, “independentemente da declaração de situação de crise energética prevista nos números anteriores, por razões de interesse público e por forma a assegurar o regular funcionamento do mercado e a proteção dos consumidores, podem ser fixadas, excecionalmente, margens máximas em qualquer uma das componentes comerciais que formam o preço de venda ao público dos combustíveis simples ou do GPL engarrafado”.

O Governo vai repercutir na diminuição das taxas de ISP os cerca de 60 milhões de euros de IVA, arrecadados face ao aumento do preço médio de venda ao público dos combustíveis, anunciou em 15 de outubro o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais.

Processo de despedimento coletivo está a ser finalizado

A presidente executiva da TAP adiantou ainda esta sexta-feira que o processo de despedimento coletivo, que classificou como “muito complicado”, está agora a ser finalizado, uma das medidas para tornar a companhia mais sustentável.

“Nesta crise, a TAP ajustou-se e definiu um novo plano — TAP 3.0. Ainda estamos na expectativa da sua aprovação, mas já iniciámos a sua implementação”, adiantou Christine Ourmières-Widener, na Conferência Internacional de Controlo de Tráfego Aéreo, que decorre no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa.

Neste sentido, a presidente executiva da TAP notou que o processo de despedimento coletivo está a ser finalizado, tendo por objetivo tornar a companhia mais sustentável.

Para alcançar esta meta, a transportadora também reduziu a sua frota para 90 aeronaves. Já do lado das receitas, conforme admitiu, “é difícil”, tendo em conta os níveis de procura face à pandemia de Covid-19.

Christine Ourmières-Widener disse ainda que se verifica uma “retoma progressiva, mas lenta” em destinos como Brasil e América do Norte, bem como uma “curva estável” em África, enquanto a Europa “continua a ser um desafio”.

Questionada sobre a possibilidade de o tamanho do aeroporto de Lisboa ser um problema para a retoma, a presidente executiva da TAP lembrou que, em 2019, ainda com a anterior administração, o desempenho operacional foi impactado.

“Se não estivermos bem em termos de desempenho, cancelamentos e atrasos, é a reputação de Lisboa, do aeroporto, de Portugal e da TAP que está em causa. A TAP é mais do que os lucros. No longo prazo, o tamanho do aeroporto é um problema”, sublinhou.