Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

A derrota com o Leicester na final da Supertaça e o desaire a abrir a Premier League com o Tottenham não funcionaram propriamente como melhor início de temporada para o Manchester City mas tudo acabou por voltar à normalidade no conjunto de Pep Guardiola, que chegava à nona jornada apenas a dois pontos da liderança do Chelsea (a quem ganhou, em Stamford Bridge). Aliás, olhando para o topo da classificação andam por lá todos os candidatos ao título: Chelsea, Liverpool, Manchester City, Tottenham, Manchester United. Pelo meio, o Brighton. E era a revelação da época que surgia agora no caminho dos citizens.

“É um conjunto que dá gosto ver jogar, têm uma equipa excecional. São a mesma equipa da época passada, a mesma que nos ganhou, mas não estamos à procura de nenhuma vingança porque no futebol ou se ganha ou se perde, nada mais. Na última temporada estávamos numa onda Champions, a preparar a final da Liga dos Campeões, e agora estamos a lutar para ficar na Champions – é uma grande diferença”, comentara na antevisão o espanhol, que fez também uma reflexão sobre a vida dos treinadores em Inglaterra e noutros países a propósito da saída de Steve Bruce do Newcastle (que tem Graham Potter, do Brighton, como uma das muitas possibilidades) e de tudo o que se seguiu a nível de críticas ao antigo central inglês.

“Aqui não é pior do que em Espanha ou na Alemanha, aqui até é melhor. Em Espanha há mais rádios, televisões. Não é toda a imprensa mas somos tratados pelos resultados. Quando ganhamos somos génios, quando perdemos somos um desastre. Então agora com as redes sociais, em Espanha toda a gente está mais envolvida, há jornalistas nos treinos, é mais intenso. Mas se queremos ser treinadores temos de aceitar. Somos criticados, às vezes mais do que os piores da sociedade, só por não ganharmos um jogo. Sou bem tratado porque ganhamos, mal tratado porque perdemos. Mas adoro, não dou atenção”, referiu.

Mais uma vez o treinador campeão inglês concentrou-se mais no processo do que no resultado, o mesmo processo que lhe voltou a valer uma goleada na Liga dos Campeões frente ao Club Brugge com mais um golo de Cancelo e grandes exibições também de Rúben Dias e Bernardo Silva. E o trio de jogadores portugueses voltou a merecer a confiança nas opções iniciais em novo triunfo escrito em meia hora.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Com a mesma base que jogou na Bélgica, o Citu começou o encontro com duas oportunidades flagrantes quando o Brighton ainda não tinha sequer chegado à área de Ederson: João Cancelo, após combinação com Jack Grealish, rematou rasteiro ao ângulo inferior para grande defesa de Robert Sánchez (7′) e Gabriel Jesus, isolado descaído na direita, viu Lewis Dunk cortar em cima da linha um golo certo (10′). O golo era um cenário quase inevitável mas acabou por surgir num lance com muito demérito dos visitados à mistura, em especial do guarda-redes Sánchez que não conseguiu agarrar uma bola na pequena área perante a pressão de Gabriel Jesus e permitiu que Bernardo Silva assistisse Gundögan para o 1-0 (13′). Foi o primeiro, seguiram-se o segundo e o terceiro de Phil Foden, o último a meias com Gabriel Jesus (28′ e 31′).

A partida estava decidida, o que tirou qualidade a um segundo tempo onde os citizens tentaram sobretudo gerir a confortável vantagem e o Brighton conseguiu apenas reduzir a desvantagem de grande penalidade a dez minutos do final, na sequência de uma falta despropositada de Ederson bem aproveitada por Alexis Mac Allister para fazer o 3-1, sendo que até ao final foi o Manchester City a andar mais perto da baliza de Sánchez do que os visitados da área de Ederson – que permanece como o segundo menos batido da Premier League apenas atrás do Chelsea de Mendy, que este sábado “atropelou” o Norwich por 7-0 – até ao 4-1 marcado no quinto minuto de descontos por Mahrez que fechou em definitivo as contas do jogo.