O festival dedicado à obra do artista e compositor alemão Hans Otte, “Hans Otte: Sound of Sounds”, começa este sábado em Lisboa, estendendo-se depois a Évora, Guimarães e Viseu, com um programa que inclui exposições, concertos e conferências.

O festival começa por instalar-se em Lisboa, este mês e em novembro, chegando a Évora em dezembro, a Guimarães em janeiro e a Viseu em abril e maio, regressando ainda a Lisboa.

“Hans Otte: Sound of Sounds”, de acordo com o Goethe-Institut, na página de Internet sobre o evento, inclui um ciclo de concertos, teatro musical, exposições e ainda conferências no âmbito académico, cruzando públicos e abordagens, e dá seguimento a um primeiro momento que aconteceu em outubro de 2020, com a estreia, em Portugal, de “O Livro dos Sons”, de Hans Otte, pela pianista Joana Gama.

A obra de Hans Otte (1926-2007) inclui, além das peças musicais, instalações sonoras, peças de teatro musical e poemas.

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O arranque do festival coincide com a inauguração de uma exposição na Brotéria, em Lisboa, que estará patente até 27 de novembro e que “apresenta as duas instalações sonoras arquetípicas ‘Ich -Atemobjekt’ (1970) e ‘Namenklang’ (1995), de Hans Otte, assim como uma seleção representativa de partituras e desenhos seus, complementados por fotografias biográficas, nomeadamente da autoria da filha do compositor, a fotógrafa Silvia Otte”.

A mostra, “que conta ainda com a obra ‘Air — Hommage an Hans Otte, John Cage und den Klang der Klänge’ (2019/20), de Ingo Ahmels, que parte de um texto que Hans Otte escreveu em homenagem a John Cage”, segue depois o percurso realizado pelo festival, permanecendo por cerca de um mês em cada cidade (inaugurações em Évora, a 04 de dezembro, Guimarães a 08 de janeiro, e Viseu, a 07 de abril).

Em 04 de novembro, o Goethe-Institut, em Lisboa, acolhe uma conferência, realizada em colaboração com o Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical (CESEM – NOVA FCSH), na qual “a lendária pianista Margaret Leng Tan [se] junta aos curadores do festival, Joana Gama e Ingo Ahmels, para uma reflexão sobre os percursos tão singulares quanto distintos de Hans Otte e John Cage, dois compositores unidos por uma boa amizade e uma admiração mútua”.

A conferência irá decorrer também em Évora, em 02 de dezembro, e em Guimarães, em 07 de janeiro.

A conferência antecipa o concerto “Oriente: Ocidente — Cage: Otte”, que se estreia em Lisboa em 06 de novembro. De acordo com a organização, trata-se de “um concerto para dois pianos, numa ‘sala de concertos preparada’, idealizado por Ingo Ahmels (conceção e design sonoro), em homenagem a Hans Otte, e que teve a sua estreia em 2006, tendo sido editado pela WERGO em 2008”.

“Nessa ocasião, a interpretação contou com dois pianistas masculinos – Elmar Schrammel e Philipp Vandré – sendo agora intencional a escolha de duas mulheres pianistas para a interpretação das obras-primas para piano de John Cage e Hans Otte. Margaret Leng Tan, uma das intérpretes mais conceituadas da música experimental americana, considerada pelo The New York Times como ‘a rainha do toy piano’, e que trabalhou de forma próxima com John Cage, interpreta uma seleção da obra seminal para piano preparado ‘Sonates and Interludes’, do compositor americano, enquanto a reconhecida pianista portuguesa Joana Gama interpreta uma seleção dos ciclos ‘O Livro dos Sons’ e ‘O Livro das Horas’ de Hans Otte”, lê-se no comunicado.

Joana Gama leva depois o “Livro dos Sons” a Évora, em 04 de dezembro, a Guimarães, em 08 de janeiro, e a Viseu, em 06 de abril.

A programação do festival inclui ainda “a estreia mundial da peça de teatro musical ‘J-CHOES, J’ai faim'”, dedicada aos compositores John Cage, Hans Otte e Erik Satie, da autoria de Lou Simard e Ingo Ahmels.

A peça, que se destina a três atores pianistas e conta com a interpretação de Margaret Leng Tan, no papel de John Cage, Joana Gama, no papel de Hans Otte, e Ingo Ahmels, no papel de Erik Satie, será apresentada em 08 de abril, em Viseu, no Teatro Viriato, e, em 11 de abril, em Lisboa, no Goethe-Institut.