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Primeiro, a qualificação para a terceira final de sempre no all around em Campeonatos do Mundo e aquele que foi um histórico apuramento para a primeira final portuguesa de sempre em aparelhos, neste caso as paralelas assimétricas. Depois, a melhor classificação de sempre no all around, superando (e muito) o 16.º lugar de 2014 com uma sétima posição e respetivo diploma naquela que foi também a melhor participação nacional num Mundial de ginástica artística. Depois de uma participação nos Jogos Olímpicos de Tóquio que soube a pouco pelo trabalho realizado ao longo do ciclo olímpico, Filipa Martins voltou ao Japão, neste caso a Kitakyushu, para conseguir atingir o ponto mais alto da carreira aos 25 anos.

Histórico: Filipa Martins consegue diploma e faz melhor resultado de sempre numa final all around do Mundial

“Não era bem um sonho, era algo que sempre treinei para conquistar. Claro que, quando treinamos muito, queremos chegar a pontuações mais elevadas e melhores classificações, e este sétimo lugar foi o topo. Este resultado é histórico, para mim significou muito, principalmente num ano tão preenchido, com Campeonato da Europa e Jogos Olímpicos, dois meses depois, e Campeonato do Mundo, novamente passado dois meses. Foram períodos de preparação bastante difíceis, sobretudo depois dos Jogos, nos quais tive o pico de forma e com pouco tempo para descansar”, comentou a ginasta à agência Lusa.

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Filipa Martins faz história e chega às finais de “all around” e paralelas nos Mundiais de ginástica artística

Ainda assim, e no final daquele que foi o melhor ano da carreira onde tinha terminado o all around dos Europeus no 11.º posto, existia ainda uma última prova encarada mais para desfrutar do que outra coisa e logo no aparelho onde deu nome também em 2021 a um movimento, o “Martins”. A qualificação na oitava e última posição mostrava a dificuldade que iria enfrentar mas o facto de ter sido nas paralelas assimétricas que cometeu um erro que a impediu que chegasse a um quinto lugar no all around aumentava o desafio.

As adversárias, mesmo entre as baixas na competição, impunham respeito. Angelina Melnikova, que sucedeu a Simone Biles como vencedora do all around em Mundiais, era a única entre as oito finalistas olímpicas presentes, mas havia além da russa nomes como Rebeca Andrade, brasileira que ganhou o ouro no salto e a prata no all around em Tóquio; Wei Xiaoyuan, chinesa que foi vice-campeã mundial júnior no aparelho em 2019; Zsófia Kovács, húngara campeã europeia nas paralelas assimétricas em 2019; Vladislava Urazova, russa que foi campeã mundial júnior em 2019 e vice-campeã europeia este ano na especialidade; e Elisa Iorio, italiana que ajudou a equipa a conseguir um inesperado bronze nos Mundiais de 2019.

A portuguesa ficou por sorteio como a última da final, o que lhe permitia também perceber pelo que estava a lutar tendo em conta as pontuações na qualificação e eventuais erros que pudessem aparecer. A primeira prestação de Wei Xiaoyuan, com os mesmos 14.733 da qualificação, mostrou o nível da decisão, seguindo-se Rebeca Andrade com um 14.633 (abaixo dos 15.100 do apuramento mas ainda assim uma nota elevada) e Elisa Iorio, a “não candidata” a par de Filipa Martins, com 14.400. Só mesmo superando e muito os 14.133 da qualificação seria possível evitar a oitava posição, sendo que nem Melnikova, com um dos melhores exercícios da final, conseguiu chegar ao pódio, ficando atrás da também chinesa Luo Rui que fez os mesmos 14.633 da brasileira. A portuguesa fez um exercício muito regular, pecou apenas na saída do “Martins” e acabou com 14.066 aquele que foi um momento histórico para Portugal.