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O recorde do mundo de maior número de bebés num só parto foi batido pela maliana Halima Cisse, à época com 25 anos, cujos nove filhos nasceram no dia 5 de maio, na clínica Ain Borja, em Casablanca (Marrocos). As despesas estão a ser suportadas pelo governo do Mali e atingiram já mais de um milhão de euros.

O anterior recorde pertencia aos oito filhos de Nadya Suleman, concebidos em 2009 por fertilização in vitro, que têm agora 12 anos de idade. Segundo a BBC, dois nascimentos de nonagémeos tinham já ocorrido, um na Austrália, em 1971 e outro na Malásia em 1999, mas em ambos os casos nenhum dos bebés sobreviveu mais do que alguns dias.

Em entrevista ao jornal britânico Daily Mail, Halima Cisse, disse que “estão todos a dar-se muito bem. Estão a ficar mais fortes a cada dia que passa e pode ser que abandonem os cuidados da clínica muito em breve, para que nós os possamos levar para casa”, no seu país de origem, o Mali.

Os nonagémeos, concebidos naturalmente, pesavam cada um entre meio e um quilograma quando nasceram, e tiveram de passar os primeiros meses de vida em incubadoras nos cuidados intensivos da clínica, sob a supervisão constante de uma equipa de médicos e enfermeiros.

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Os filhos do sexo masculino do casal Halima Cisse e Kader Arby chamam-se Oumar, Elhadji, Bah e Mohamed VI. Já as filhas do sexo feminino foram nomeadas Adama, Oumou, Hawa, Kadidia e Fatouma.

Na semana passada, os nove bebés foram visitados pelo ministro da saúde do Mali, Djaminatou Sangare, para discutir o transporte seguro dos nove filhos para Bamako, a capital do Mali.

Em agosto, os recém-nascidos foram retirados das incubadoras, e desde então a família tem residido num apartamento perto da clínica marroquina, onde os bebés podem ser monitorizados pelos profissionais de saúde.

“O parto de um filho já é suficientemente difícil, mas isso vezes nove é inimaginável”, disse Halima. “É incalculável o esforço que é exigido em tomar conta de todos eles, fico grata à equipa médica que tem ajudado bastante e ao governo do Mali por ajudar nos custos de tudo isto.”

Halima Cisse teve os nove filhos através de uma cesariana e na altura dos nascimentos a irmã de Cisse, Aisha, acompanhou a maliana enquanto o marido permanecia ainda na casa do casal, em Timbuktu.

“À medida que os bebés iam saindo de mim, houve uma série de questões a passar-me pela cabeça. Eu estava bastante consciente de tudo o que se estava a passar e na altura pareceu que havia uma corrente infinita de bebés a sair de mim”, assumiu a mãe. Os médicos estimam que a barriga da mãe pesasse cerca de 30 quilogramas antes do parto — entre nove fetos e líquido amniótico — e Cisse quase morreu devido a perda de sangue.

O professor Youssef Alaoui, diretor da clínica Ain Borja, em Casablanca, contou à agência de notícias AFP que o caso “foi extremamente raro, foi excecional”. Uma equipa de dez médicos e 25 paramédicos esteve envolvida na assistência ao parto dos bebés prematuros.

A despesa relativa aos nove filhos atingiu já um milhão de libras (cerca de 1,1 milhões de euros), e tem sido suportada maioritariamente pelo governo maliano. Kader, o pai dos bebés, marinheiro da marinha maliana, admite que tomar conta da sua família “poderia ser financeiramente difícil”.

O casal casou-se em 2017 e tem já uma filha primogénita, Souda, de dois anos, que está atualmente a cargo de familiares do casal. Vivem numa casa de três quartos, que Kader assume ter de ser agora expandida para acomodar todos os dez filhos do casal. “De momento temos quem cuide deles a tempo inteiro, o que é uma bênção para nós porque a minha mulher tem precisado bastante de descansar”, assume Kader.

Ao casal, médicos do Mali comunicaram inicialmente que Halima estaria grávida de sete filhos, e receavam que houvesse uma hipótese inferior a 50% de sobrevivência para qualquer dos bebés. Cisse ficou hospedada duas semanas no hospital Point G em Bamako, capital do Mali, antes de ser transferida para Marrocos, graças à intervenção do então presidente interino, Bah N’Daw, motivo pelo qual um dos filhos do casal ficou com o nome de Bah. O nome de outro bebé — Mohamed VI é uma referência ao rei de Marrocos.