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Tinha passado pouco mais de meia hora do final do encontro do Sporting frente ao Moreirense quando Rogério Alves, presidente da Mesa da Assembleia Geral, falou aos jornalistas já no hall VIP do Estádio José Alvalade. O número 1 do órgão, que ficou no Pavilhão João Rocha a supervisionar a contagem dos cerca de 7.000 votos durante o jogo de futebol, resumia os resultados do sufrágio enquanto uns metros atrás todo o Conselho Diretivo estava reunido em conversa. Todo menos um, Frederico Varandas. De mãos nos bolsos, às voltas um pouco mais atrás, a cumprimentar depois o técnico dos cónegos, João Henriques, quando se encaminhava para o autocarro. Era assim que preparava aquela que seria só uma declaração.

Equipas a votar, assobios aos críticos e 7.000 votantes: a AG que virou referendo acabou com 84% de “sim” aos Relatórios (e a Varandas)

Mais de 12 horas depois de ter dado entrada no Pavilhão João Rocha para o início da Assembleia Geral, com contornos bem diferentes até para o próprio que apenas por uma vez sentiu necessidade de responder de forma mais assertiva na reunião magna a propósito da dívida do clube com a SAD de apenas 300 mil euros e não de 20 milhões como foi referido, sabia que tinha sido “sufragado” com 84% a favor entre 7.000 associados, naquele que se tornou quase um referendo ao atual elenco apesar de ter apenas em conta a votação dos dois últimos Relatórios e Contas de 2019/20 e de 2020/21 do clube. E foi num discurso virado para os associados que comentou esses resultados inéditos pela afluência em causa.

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“Queria, acima de tudo, agradecer a participação dos sócios, nesta assembleia de aprovação. Saliento que foi a Assembleia mais participada da história para aprovação de contas. Há umas semanas, aqui mesmo, apelei para que os sócios não se esquecessem de um dos seus deveres, que era cuidar do Sporting; hoje disseram presente e vieram cuidar do seu Sporting – e cuidar do seu Sporting é isto, é participar”, começou por referir o líder leonino num comentário que não teria depois direito a perguntas dos jornalistas.

“Os sócios percebem que jamais haverá vitórias sem estabilidade e num Relatório e Contas, auditado e sem erros, a sua não aprovação é um dano para a instituição e relação com os seus parceiros. Os sócios perceberam a sensibilidade do momento e vieram. Foi esmagador mas o resultado não nos vai fazer perder o contacto com o planeta Terra: temos muito trabalho para fazer, vamos continuar até ao final do nosso mandato, para continuar a ter um Sporting digno, corajoso e vencedor”, acrescentou Varandas. Antes, Rogério Alves tinha respondido a algumas questões, deixando apenas para a próxima semana a questão de haver uma Assembleia Geral até às eleições para introdução da possibilidade de segunda volta.

“A Assembleia Geral que decorreu de forma extremamente serena, muito bem organizada e onde toda a gente que se inscreveu teve a oportunidade de falar. Houve civismo e houve capacidade de ouvir. Esta Assembleia Geral é totalmente conforme com lei, sem que o Conselho Fiscal e Disciplinar tivesse suscitado qualquer questão. Resultados? O presidente irá falar, o que digo é que há uma robusta, sólida e claríssima votação a favor das contas. As pessoas perceberam que votar favoravelmente é bom para o Sporting e não para o Conselho Diretivo A, a Mesa B ou qualquer outro órgão. É importante que os sócios compareçam em número tão grande quanto possível. Hoje quiseram aprovar por maioria esmagadora as contas, as ilações políticas serão tiradas pelo Conselho Diretivo”, comentou o líder da Mesa.

“Assembleias em dia de jogos? É uma questão de aproveitamento de um momento que os sportinguistas se mobilizam para conseguir uma maior representatividade: se votarem 500 há uma determinada, se votarem 5 mil, há uma mais robusta. Foi uma vontade de dizer presente, de dizer ‘estou aqui’, que o clube pode contar com os sócios quando necessário. Foi uma amostra muito representativa da mobilização e interesse nos momentos capitais do clube. Acho que esta Assembleia pode ter rasgado um caminho de convivência entre pontos de vista diferentes, nomeadamente num clube enorme, com milhões de adeptos e dezenas de milhares de associados. Temos de saber gerir a diferença e isso faz-se com respeito, com urbanidade, com a capacidade de debater. Desejo, que a caminho das eleições, que serão daqui a cinco meses, saibamos manter o alto nível de civismo e apresentação serena de alternativas para que os sócios possam votar. É importante não criar fatores de atrito mas sim uma forte união”, complementou.