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A luta contra as alterações climáticas tem estado recorrentemente na agenda do Príncipe Carlos. Este sábado, numa mensagem de vídeo endereçada ao Fórum da Iniciativa Verde Saudita, em Riade, o herdeiro do trono britânico deixou um alerta aos líderes mundiais dizendo que têm agora apenas uma “janela de oportunidade perigosamente estreita” para evitar uma catástrofe climática.

A mensagem é clara e quis deixar em mente um objetivo: o de colocar o planeta num caminho mais sustentável. O primeiro fórum de Iniciativa Verde Saudita acontece apenas uma semana antes da 26.ª Conferência sobre Mudança Climática da ONU (COP26), que decorre em Glasgow, na Escócia, a partir de 31 de outubro juntando chefes de Estado de todo o mundo com o objetivo de travar o aquecimento global.

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“Temos agora uma janela de oportunidade perigosamente estreita para acelerar uma recuperação verde, ao mesmo tempo que lançamos as bases para um futuro sustentável”, disse o príncipe Carlos dirigindo-se aos líderes, citado pelo Independent.

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O herdeiro ao trono de 72 anos afirmou ainda que o COP26 era uma oportunidade para os líderes mundiais mostrarem os “planos ambiciosos”. “Os peritos estão a dizer aos decisores políticos que o COP26 deve prosseguir com contribuições ambiciosas, determinadas a nível nacional, que tenham linhas de base claras, e atingir as emissões líquidas zero até 2050”, disse. Carlos fez saber ainda que a cimeira vem mostrar que “após demasiado tempo”, as alterações climáticas e a perda de biodiversidade são finalmente “de importância primordial para o mundo”, cita a AP.

“Temos simplesmente de ouvir esta mensagem e, acima de tudo, considerar o tipo de existência futura que estamos a legar aos nossos netos e aos filhos dos nossos filhos”, rematou, alertando para os objetivos do Acordo de Paris de limitar o aquecimento global abaixo dos 2°C e, se possível, a 1,5°C.

O príncipe incentivou ainda os líderes do Médio Oriente a aproveitarem o “enorme potencial” das energias renováveis para afastar cenários extremos da crise climática. Além das energias, o herdeiro ao trono tocou ainda na questão das temperaturas daquela zona do globo que estão 1º a 1.5ºC mais elevadas que nos tempos pré-industriais. “Estas temperaturas mais elevadas são suscetíveis de ter, ou já estão a ter, um impacto profundo sobre as pessoas e a ecologia da região”, disse. “Como tenho vindo a tentar salientar há muitos anos, a região tem um enorme potencial para energias renováveis — incluindo energia solar, eólica, hidrogénio verde e captura e armazenamento de carbono. Estas indústrias podem impulsionar o crescimento económico e aumentar as oportunidades de emprego verde.”

Ao dirigir-se ao fórum, o Príncipe Carlos disse que achava “muito encorajador” ver o reino empenhado em diversificar o seu cabaz energético. Isto porque, neste mesmo fórum, a Arábia Saudita anunciou uma meta de neutralidade carbónica até 2060, sendo que o país é um dos maiores produtores de petróleo do mundo e dos maiores poluidores também.

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Recentemente, numa entrevista à BBC, Carlos revelou que tem mudado alguns dos seus hábitos e práticas quotidianos para se tornar mais amigo do ambiente. O príncipe confessou ter trocado o aquecimento em Birkhall para caldeiras de biomassa, sendo que instalou também painéis solares na Clarence House, em Londres, bem como bombas de calor em algumas propriedades. Mas a mudança mais irreverente diz respeito ao seu carro Aston Martin, ao qual adaptou o motor para andar com “excedente de vinho branco inglês e soro do processo de queijo”.