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Era um domingo gordo no Moto GP: o Grande Prémio da Emilia Romagna podia não só dar o título a Fabio Quartararo, que tinha o primeiro match point da época, como também representava a última corrida que Valentino Rossi faria em Itália. Pelo meio, Miguel Oliveira foi o quinto mais rápido na qualificação e alcançou a terceira melhor posição da carreira na grelha de partida, apenas atrás da pole-position no Algarve e do terceiro lugar na Catalunha, onde acabou por registar a única vitória do ano.

Começando por Quartararo, o piloto francês poderia tornar-se campeão do mundo já este domingo se ganhasse o Grande Prémio da Emilia Romagna, a antepenúltima corrida da época, no circuito de Misano. O grande obstáculo? O facto de não ter ido além da pior qualificação desde que está no Moto GP, um 15.º lugar, algo que parecia adiar desde logo a festa do título. Com 75 pontos ainda em disputa até ao final do Mundial, Quartararo precisava de sair de Itália com pelo menos 50 pontos de vantagem em relação a Pecco Bagnaia — e para isso existiam outros 13 cenários alternativos para lá da vitória. Bastava o segundo lugar, desde que Bagnaia não ganhasse; bastava até o quinto, desde que Bagnaia não fosse ao pódio; e bastava até não pontuar, desde que Bagnaia não conquistasse mais de três pontos. O outro grande obstáculo a todas essas possibilidades: Pecco Bagnaia alcançou a pole-position este fim de semana, carimbando uma linha da frente totalmente da Ducati em conjunto com Jack Miller.

O Falcão voltou: Miguel Oliveira iguala terceira melhor qualificação de sempre no MotoGP e sai do quinto lugar na Emilia Romagna

Passando para Valentino Rossi, o experiente piloto que vai deixar o Moto GP no final da temporada despedia-se das corridas em casa, em Itália, e homenageava os adeptos que o apoiaram durante 20 anos de motociclismo através do capacete. Com uma pintura especial, pautada pelo habitual amarelo fluorescente, o capacete de Rossi incluía detalhes como imagens e desenhos de adeptos com cartazes onde se lia “Forza, Vale” e as características bandeiras com o número 46 que fizeram parte da história do Moto GP nas últimas duas décadas. Mas as homenagens ao italiano também apareciam a partir dos outros pilotos — e da própria família. Luca Marini, irmão mais novo de Valentino Rossi que corre pela Sky VR46 Avintia, usava em Misano uma mota totalmente amarela onde se lia “Grazie, Vale!”, obrigado, Vale.

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Por fim, Miguel Oliveira. O português adaptou-se bem à chuva que marcou as primeiras sessões de treinos livres e terminou o dia inicial do Grande Prémio da Emilia Romagna com o quinto melhor registo. Há muito que Miguel Oliveira não surgia tão próximo dos lugares cimeiros mas nem por isso deixou de manter os pés bem assentes na terra, fazendo um alerta em relação à necessidade de manter o ritmo com pista seca. Assim foi, ainda que sem se livrar de um susto: numa altura em que estava na frente da terceira sessão de treinos livres, realizada de novo com a pista muito molhada, Miguel Oliveira teve uma aparatosa queda que ficou como um dos momentos da manhã mas sem que isso impedisse uma entrada tranquila na Q2 como desejava, com o quarto melhor tempo. Aí, acabou por carimbar o quinto lugar na grelha de partida, lançando-se em boa posição para poder acreditar num eventual pódio e no objetivo claro de ainda somar 33 pontos até ao final do ano para igualar os 125 da época passada.

No arranque, com um sol que se distinguia da chuva que marcou as qualificações, Miguel Oliveira saiu bem e chegou a rodar na segunda posição, acabando por cair para quarto já na segunda volta, ultrapassado por Jack Miller e Marc Márquez. O piloto da KTM desceu para 5.º pouco depois, superado por Pol Espargaró, mas ia conseguindo não descolar por completo do grupo da frente, mantendo a possibilidade de ainda lutar por um pódio em Misano. Uma possibilidade que foi engrossada por fatores externos: em voltas consecutivas, Danilo Petrucci, Joan Mir e Jack Miller caíram todos e ficaram de fora do Grande Prémio, com Miguel Oliveira a regressar à quarta posição graças ao abandono do piloto da Ducati.

Lá à frente, Pecco Bagnaia ia cavando uma distância de segurança na liderança mas era acompanhado por Marc Márquez, que nunca dava grande margem de manobra à Ducati. Instantes atrás, Pol Espargaró somou uma série de voltas rápidas que deixou Miguel Oliveira a mais de segundo e meio, ainda que o piloto português beneficiasse do facto de ter descolado de Aleix Espargaró para se focar exclusivamente no ataque ao pódio. Mais abaixo no pelotão, Fabio Quartararo ia escalando a classificação e, a 10 voltas do fim, estava já em sexto.

A cinco voltas do fim, apareceu o golpe de teatro: Pecco Bagnaia cometeu um erro, caiu e ofereceu o título de campeão do mundo a Fabio Quartararo, que nesta altura já rodava na quarta posição. Miguel Oliveira rodou no pódio de forma instantânea depois da queda da Ducati mas acabou por cair também e desperdiçou uma hipótese de ouro para regressar aos lugares cimeiros no Moto GP. Até ao fim, Marc Márquez não deixou fugir a vitória, Pol Espargaró terminou no segundo lugar e Enea Bastianini ainda roubou o pódio a Fabio Quartararo.

Nada que tenha tirado a alegria à Yamaha, que seis anos depois voltou aos títulos na categoria rainha do motociclismo — desde 2015, com Jorge Lorenzo, que a equipa japonesa não conseguia terminar no primeiro lugar da classificação geral. Fabio Quartararo, aos 22 anos, sucede a Joan Mir como campeão do mundo de Moto GP e torna-se o primeiro francês a atingir esse estatuto.