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Dez anos. Há uma década que o Marselha não vence em casa o Paris Saint-Germain, com os clubes a encontrarem-se no Vélodrome para mais um clássico. Mas a equipa que recebe este domingo os parisienses até venceu o PSG na sua casa, em 2020, precisamente na única vitória no duelo entre as duas equipas nos últimos… dez anos. Com o PSG a liderar confortavelmente o campeonato (adivinha-se um passeio depois de uma Ligue 1 perdida para o Lille na época passada), os marselheses apresentavam-se em campo a dez pontos do rival, mas com menos um jogo.

Do lado do PSG esperava-se o regresso de Neymar depois de falhar o encontro a meio da semana com o Leipzig, para a Liga dos Campeões. O brasileiro ia então voltar à tripla MNM com Messi e Mbappé, e ia talvez fosse encontrar novamente Álvaro Gonzalez, com quem tem uma inimizade desde 2020. Tudo começou em setembro do ano passado, num jogo entre os dois conjuntos, com Neymar a acusar o espanhol de lhe chamar “macaco, filho da p***” ainda na primeira parte. No segundo tempo, o brasileiro acabou mesmo por ser expulso do encontro ao agredir o adversário.

Devido à “falta de provas convincentes” o defesa espanhol não sofreu sanções oficiais, mas sofreu ao ver o seu número de telefone ser tornado público. “O dano que Neymar pode causar a mim e ao meu ambiente é grande. Há um mês que não saio de casa e eu e a minha família passamos maus momentos. Eu tinha dois milhões de mensagens no WhatsApp quando cheguei a Marselha. Ia dormir e quando acordava na manhã seguinte tinha 20 mil mensagens”, disse na altura Álvar Gonzalez, que não tem sido opção este ano para Jorge Sampaoli.

Já em janeiro deste ano, depois de o PSG vencer a Supertaça de França (2-1) frente ao Marselha, Neymar utilizou o Twitter para se atirar ao jogador adversário. “Roi, Alvaro, né?”, chutou o brasileiro na rede social.

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O espanhol respondeu também de forma contundente: “Os meus pais sempre me ensinaram a deitar o lixo fora. Vamos OM sempre”. Neymar não se deixou ficar e atirou que “eles esqueceram-se de como se ganha títulos”.

Além de Neymar, regressava também Icardi aos convocados, ausente também a meio da semana devido a problemas pessoais, nomeadamente com a mulher Wanda Nara, sempre polémica também, mas o treinador Maurício Pochettino garantiu-o nos convocados. “Neymar está disponível e vai estar no jogo. Icardi é um jogador muito forte mentalmente e treinou connosco. Ele tem o apoio do presidente e de toda a equipa. Também está disponível para o grupo amanhã [este domingo]”, disse o treinador argentino.

Confirmou-se então o regresso de Neymar e o PSG apresentou-se numa espécie 4x2x4, com Danilo e Nuno Mendes de início e Di Maria, Messi, Neymar e Mbappé lá para a frente. Num dia em que o comportamento dos adeptos, quer nas imediações, quer dentro do Vélodrome, não foi o mais brilhante, com Neymar, por exemplo, a precisar de uma rede e polícias com escudos para protegeção nos pontapés de canto. Isto aconteceu durante todo o encontro e foi uma mancha no jogo (até invasões de campo…). Contudo, as equipas compensaram dentro de campo, com um jogo intenso e dividido. E, claro, rasgadinho. 

Além da presença do 10 brasileiro, confirmava-se ainda que Álvaro Gonzalez estava no banco, evitando assim ainda mais lenha para a fogueira do Le Classique.

Para euforia dos adeptos do Marselha, a equipa ficou a jogar com mais um homem aos 57′ minutos, depois do cartão vermelho de Hakimi, que fez falta sobre Under, à entrada da área, quando era o último homem do PSG. No entanto, a equipa da capital francesa continuou a ter bola, não havendo nenhuma queda estonteante na qualidade de jogo, apesar de, claro, o Marselha conseguir ter cada vez mais posse. No entanto, com Messi, Mbappé e Neymar todos os cuidados são poucos, apesar do trio ter ficado a jogar numa equipa muito partida.

Neymar acabaria por ser substituído debaixo de um óbvio coro de assobios, o que até foi a coisa menos má que aconteceu ao brasileiro durante o jogo, e o Marselha criaria alguns lances de perigo, mas nunca conseguindo acertar na baliza do PSG, protegida este domingo por Keylor Navas. Empate no clássico francês, com mérito dos jogadores, pouco dos adeptos…