Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

Por enquanto, tudo está ainda em aberto. Em entrevista ao Diário de Notícias, a diretora-Geral da Saúde lembrou que o coronavírus é “muito novo” e que ainda é cedo para dizer que o perigo já passou. “Não podemos dizer que sabemos o que vai acontecer, porque não sabemos se as variantes que vão aparecendo tenderão sempre para uma estabilidade (…) ou se as mutações se vão transformar numa outra variante, mais forte”, explicou.

Por essa razão, é importante manter as medidas de segurança pessoal, como a higienização das mãos, mas também ficar atento aos sinais. Durante este inverno, a Direção-Geral da Saúde (DGS), que apresentou na semana passada o plano para os próximos meses, irá manter a vigilância e, se vir que é necessário, alagar a terceira dose da vacina contra a Covid-19 a outras faixas da população.

“Imagine que daqui a uns tempos a ciência nos indica que é preciso fazer reforços a outras idades e a outros grupos sociais. Nós também o faremos”, disse Graça Freitas, lembrando que foi com base em dados científicos que se avançou com o reforço da vacinação entre os maiores de 80 anos e que se avançará entre os maiores de 65,  “porque já se percebeu que são os mais frágeis e que têm uma perda de imunidade após a vacinação e ao longo do tempo”.

O que esperar da pandemia no outono e inverno? O pior cenário da DGS aponta para elevado número de mortes antes do Natal

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Questionada sobre o plano outono-inverno, durante uma entrevista em que se fez um balanço da pandemia e se tentou olhar para os meses que aí vêm, Graça Feitas declarou que a principal preocupação da DGS é “conter a doença grave, mais do que não ter infeção”.

Colocando a hipótese do surgimento de “uma variante agressiva” do vírus “que traz de novo a propagação e formas graves de doença, com potencial para aumentar internamentos e taxa de letalidade”, um cenário que não é o maus plausível mas que é possível, a diretora-Geral da Saúde disse que, “em última análise”, isso pode levar “de novo a confinamentos seletivos ou generalizados”, como os que têm acontecido em alguns países.

Por essa razão, a responsável lembrou a importância de manter as “medidas não farmacológicas, centradas na responsabilidade individual de cada um, como o uso de máscara, distanciamento, higienização das mãos”, frisando que estas continuam a ser importantes mesmo com mais de 85% da população vacinada.

“Há uma coisa muito importante que todos temos de perceber. É que temos de passar mais um inverno sem sabermos o que aí vem. Embora este inverno vá ser diferente do anterior. O primeiro que passámos com o vírus, estávamos completamente desprotegidos, só tínhamos a proteção que a doença nos dava. Este vai ser um inverno já modelado pela proteção da vacinação”, esclareceu.

Isso não significa que, passado este inverno, o perigo tenha passado. “Continuo a dizer que é um vírus muito recente, no máximo tem dois anos”, repetiu a médica especialista em saúde pública, explicando que tudo está ainda em aberto. “Não sei se vamos voltar aos confinamentos”, admitiu.

“O que sei é que as pandemias têm características próprias. Atingem todo o mundo, por isso se chamam pandemias, mas não da mesma forma e ao mesmo tempo. Têm diferenças geográficas, de intensidade, na forma como se manifestam, e depois as diferenças que surgem pelas medidas que cada país toma por achar que são as mais adequadas à sua população.”

Relativamente à vacinação de crianças, Graça Freitas disse que “se a vacinação for aconselhada e aprovada, não há tabu em vaciná-las. Já vacinamos as crianças dentro das maternidades”. “Temos é de ter a evidência científica de que a relação benefício-risco é positiva”, defendeu.