Charcutaria apenas em dias festivos, uma sobremesa doce por semana e o álcool é proibido. A Direção-Geral da Saúde (DGS) publicou esta terça-feira o Manual de Dietas Hospitalares, que pretende harmonizar refeições hospitalares no Serviço Nacional de Saúde (SNS) e contribuir para a racionalização de recursos e recuperação dos doentes.

Num documento bastante pormenorizado, a DGS apresenta várias dietas para várias idades e quadros clínicos, desde dietas pediátricas a dietas para hiperenergética ou restritas em sódio.

Na dieta geral, destinada a “doentes cujo diagnóstico, motivo de internamento ou situação clínica não requeira necessidades nutricionais e alimentares específicas”, a DGS recomenda a alternância entre carne e pescado, não se “disponibilizando carne em proporção superior à oferta de pescado”. As carnes processadas e os produtos de charcutarias não são permitidos, a não ser em dias festivos e “desde que se verifique autorização por parte do Serviço de Nutrição”.

A ingestão diária de legumes é incentivada e está presente em praticamente todas as dietas. Quer seja na sopa, quer no prato, a DGS indica que as leguminosas devem ser consumidas pelos doentes pelo menos uma vez por dia. Já o consumo de fruta deve também ser diário, havendo uma sobremesa doce (que consiste em aletria, tapioca, gelatina ou fruta em calda) uma vez por semana.

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Quanto aos lacticínios, na dieta geral, devem ser ingeridas duas porções diárias. As bebidas alcoólicas, café ou outras bebidas estimulantes são proibidas. Além disso, a DGS recomenda a ingestão de um litro e meio de água por dia, exceto se houver indicação para “restrição ou reforço de fluídos”.

Na confeção dos alimentos, a DGS estipula que todos os métodos são permitidos, contudo “deve ser dada preferência a métodos de confeção que requerem uma menor adição de gordura”, como estufados, assados com pouca gordura, cozidos ou grelhados. Os alimentos fritos são permitidos, mas apenas uma vez por semana. 

De acordo com um comunicado da DGS esta terça-feira divulgado, a contratação de serviços alimentares pelos hospitais do SNS deve estar em conformidade com o estabelecido no manual.

“Apesar de a maioria dos hospitais possuir um Manual de Dietas, este diferia de hospital para hospital no que respeita à nomenclatura utilizada, tipologia de dietas, composição das refeições e respetivas quantidades utilizadas. Esta situação tinha implicações nos custos e gestão dos processos, tornando-se estratégica a uniformização e padronização de um Manual de Dietas Hospitalar a nível nacional”, refere o comunicado da DGS.

Salienta-se ainda o impacto que a medida pode ter na recuperação dos doentes, “nomeadamente na redução do tempo de internamento e das complicações durante o período de internamento”.

Consulte aqui o Manual de Dietas Hospitalares 2021 na íntegra.