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Seja azar, calcanhar de Aquiles ou o destino, esta Taça não é para Sérgio (a crónica do Santa Clara-FC Porto)

Treinador do FC Porto queria ganhar a Taça da Liga, queria dar o troféu a Pinto da Costa e queria afastar os fantasmas. No fim, foi eliminado à primeira — e voltou a ver que esta Taça não é para ele.

Os dragões começaram a perder, ainda reduziram na segunda parte mas sofreram o terceiro golo nos descontos
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Os dragões começaram a perder, ainda reduziram na segunda parte mas sofreram o terceiro golo nos descontos

LUSA

Os dragões começaram a perder, ainda reduziram na segunda parte mas sofreram o terceiro golo nos descontos

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A Taça da Liga é o calcanhar de Aquiles do FC Porto. É a última fronteira, o território por conquistar, o troféu que falta no museu e que teima em escapar. E de forma natural, desde que chegou ao Dragão, Sérgio Conceição assumiu essas mesmas dores e tornou a Taça da Liga num calcanhar de Aquiles pessoal. Foi a duas finais, perdeu ambas e nunca conseguiu ser feliz na terceira competição nacional — esta terça-feira, voltava a começar uma nova tentativa.

“Claro que gostava de ganhar. Vivemos de vitórias, que são importantes para os títulos. Somos obcecados por vencer títulos e queríamos oferecer este ao presidente (…) A nossa ambição é a mesma de todos os jogos. Chegar o mais longe possível, atingir a final four e aí ser mais competente. Já estivemos perto de ganhar e queremos ganhar. Não gosto de falar em gestão, porque parece que tiramos peso ou importância ao jogo. Nós queremos muito chegar à final four e vamos entrar com o melhor onze para conquistar os três pontos. Se perdermos, estamos fora. É um jogo decisivo”, explicou Sérgio Conceição na antevisão da visita ao Santa Clara, em São Miguel, onde o FC Porto dava o pontapé de saída na atual edição da Taça da Liga.

Ficha de jogo

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Santa Clara-FC Porto, 3-1

Fase de grupos da Taça da Liga

Estádio de São Miguel, em Ponta Delgada

Árbitro: Manuel Oliveira (AF Porto)

Santa Clara: Ricardo Fernandes, Sagna (Mansur, 78′), João Afonso, Chindris, Paulo Henrique, Nené, Morita (Anderson Carvalho, 78′), Ricardinho (Jean Patric, 72′), Mohebi, Luiz Phellype (Lincoln, 67′), Rui Costa (Allano, 67′)

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Suplentes não utilizados: Rodolfo, Marco

Treinador: Nuno Campos

FC Porto: Marchesín, Nanu, Mbemba, Marcano, Manafá, Corona (Luis Díaz, 45′), Grujic (Evanilson, 69′), Bruno Costa (Sérgio Oliveira, 45′), Pepê (Otávio, 45′), Fábio Vieira, Toni Martínez (Taremi, 65′)

Suplentes não utilizados: Cláudio Ramos, Fábio Cardoso, Francisco Conceição, João Mário

Treinador: Sérgio Conceição

Golos: Chindris (17′), Ricardinho (65′), Taremi (83′), Nené (90+6′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Sagna (12′), a Nené (57′), a Mohebi (69′), a Fábio Vieira (72′), a Jean Patric (90′), a Otávio (90+4′), a Allano (90+4′)

Os dragões encontravam os açorianos depois de quatro vitórias consecutivas para todas as competições, entre duas jornadas da Primeira Liga e desafios na Taça de Portugal e na Liga dos Campeões, e o treinador realizava as habituais alterações no onze inicial. Na verdade, realizava quase todas as alterações possíveis: só Marcano sobrevivia, em relação à equipa que defrontou o Tondela no passado sábado, com Sérgio Conceição a lançar Nanu, Manafá, Grujic, Bruno Costa, Pepê e Fábio Vieira para a titularidade. Uribe nem sequer foi convocado, Wendell estava de fora por lesão e o FC Porto contava com um banco de suplentes que tinha nomes como Luis Díaz, Taremi, Otávio e Sérgio Oliveira.

Do outro lado estava um Santa Clara que não vence há cinco jornadas na Primeira Liga, que está no penúltimo lugar do Campeonato e que trocou de treinador recentemente, com Nuno Campos a realizar contra os dragões a terceira partida desde que substituiu Daniel Ramos. Ainda assim, o técnico dos açorianos cumpria a mesma premissa de Sérgio Conceição e só mantinha três jogadores face ao último onze: Ricardinho, Morita e João Afonso.

De forma natural, o FC Porto começou o jogo a tentar assumir de forma prática a superioridade teórica. Fábio Vieira foi o responsável pelos dois primeiros lances de perigo da partida, com um remate para defesa de Ricardo (2′) e outro a passar por cima da trave (3′), e deu logo aí o mote para aquilo que seria uma realidade ao longo de toda a primeira parte: o jovem médio, que tem estado em especial destaque nos jogos da Seleção Sub-21, seria o grande inconformado dos dragões e o jogador a ficar mais perto do golo. A equipa de Sérgio Conceição explorava os corredores de forma clara, dando especial relevância ao lado direito, onde Nanu ia subindo de forma frequente para tirar cruzamentos. No corredor central, para além da exibição positiva de Fábio Vieira, Pepê também ia demonstrando a facilidade com que vai da esquerda para o meio para desequilibrar e procurar rematar.

Ainda assim, e ao final de uns 10 minutos iniciais claramente superiores por parte do FC Porto, o Santa Clara começou a conseguir ter espaço para mostrar o que conseguia fazer na transição rápida. Os dragões aliviaram a pressão, espaçaram os setores e iam cometendo alguns erros no início da construção, acumulando perdas de bola em zonas perigosas, algo que acabava por oferecer um balão de oxigénio aos açorianos. O primeiro aviso surgiu por intermédio de Mohebi, que forçou Mbemba a ceder um canto depois de um contra-ataque (12′), Luiz Phellype atrapalhou-se quando tinha tudo para atirar à baliza após uma combinação com Rui Costa (15′) e, à terceira, acabou por ser de vez.

Na sequência de um canto batido na esquerda, Luiz Phellype falhou o desvio ao primeiro poste, a bola ressaltou nas costas de Marcano e sobrou para Chindris, que conseguiu realizar um bonito movimento à meia volta para rematar e abrir o marcador (17′). Na estreia absoluta pelo Santa Clara, o internacional Sub-21 pela Roménia estreava-se desde logo a marcar e colocava os açorianos a vencer o FC Porto em São Miguel. Depois do golo sofrido, os dragões demoraram algum tempo a reequilibrar-se e até poderiam ter sofrido o segundo, com Morita a rematar para defesa de Marchesín (21′) e Nanu a perder a bola numa zona de risco, proporcionando um pontapé de Rui Costa que acabou por desviar num defesa adversário (30′). Sem gostar daquilo que estava a ver, Sérgio Conceição lançou Sérgio Oliveira e Taremi para exercícios de aquecimento e ia pedindo maior intensidade e pressão à equipa.

No período imediatamente antes do intervalo, o FC Porto conseguiu voltar a encostar o Santa Clara às cordas e somou oportunidades, com Manafá a rematar por cima (36′), Pepê a realizar mais um movimento da esquerda para dentro para atirar à figura de Ricardo (39′) e Fábio Vieira a falhar o alvo de primeira (43′). Ainda assim, os açorianos levaram mesmo a vantagem para o intervalo e continuavam a perpetuar a ideia de que, em contra-ataque, em transição rápida e depois de uma recuperação de bola em zona adiantada, poderiam perfeitamente voltar a ferir os dragões. E, nesta altura, saltava à vista uma estatística: a equipa de Sérgio Conceição não vencia um jogo em que tinha ido a perder para o intervalo há quase dois anos, desde novembro de 2019, contra o Young Boys na Liga Europa.

[Carregue nas imagens para ver alguns dos melhores momentos do Santa Clara-FC Porto:]

No arranque da segunda parte, Sérgio Conceição voltou a reiterar a ideia de que quer mesmo conquistar a Taça da Liga: tirou Bruno Costa, Pepê e Corona e lançou a artilharia pesada, colocando Sérgio Oliveira, Otávio e Luis Díaz. Com os três reforços para o ataque, o FC Porto desdobrou-se em oportunidades e Díaz ficou muito perto de empatar, ao rematar por cima na cara de Ricardo (51′), com Toni Martínez a desperdiçar uma oportunidade gigantesca logo a seguir, atirando para a bancada com a baliza praticamente deserta pela frente (55′).

Face ao all in dos dragões, que tentavam chegar à baliza de Ricardo principalmente através da profundidade nos corredores e dos cruzamentos para o segundo poste, o Santa Clara encurtou espaços, juntou as linhas e recuou os setores, procurando resguardar a vantagem conquistada na primeira parte sem cometer tantas vezes o risco de soltar o contra-ataque. Sérgio Conceição tentou fazer xeque-mate ao lançar Taremi mas, instantes depois de o avançado iraniano entra em campo, os açorianos mostraram que seria a eficácia a decidir a partida. Mbemba falhou um passe, Morita variou o flanco de imediato, Luiz Phellype conseguiu fazer o passe de cabeça e Marcano não soube ser oposição para Ricardinho, que driblou o central e atirou em força para voltar a bater Marchesín (65′).

Nuno Campos reagiu ao dilatar da vantagem com duas substituições para refrescar a equipa, lançando Allano e Lincoln, e Sérgio Conceição tombou por completo o grupo para o ataque ao trocar Grujic por Evanilson. O Santa Clara, contudo, queria controlar o resultado com bola e sem se desequilibrar, privilegiando sempre a posse e o discernimento ao invés de lutar apenas com o coração. Os açorianos conseguiram fazer isso mesmo até aos últimos dez minutos, altura em que Taremi soube reduzir a desvantagem na sequência de uma insistência de Evanilson (83′), recuaram por completo o bloco para evitar o empate e acabaram por carimbar a surpresa através do modus operandi habitual — um contra-ataque letal. Allano conduziu em velocidade, esperou por Anderson Carvalho para abrir na direita e o brasileiro cruzou para o primeiro poste, onde Nené desviou (90+6′).

O Santa Clara somou três pontos no Grupo D e deu um passo crucial para chegar à final four da Taça da Liga, embora ainda tenha de esperar pelo resultado do encontro entre o FC Porto e o Rio Ave. Quanto aos dragões, não conseguiram manter a superioridade teórica com os jogadores menos utilizados, demonstraram pouca eficácia mesmo com Luis Díaz, Otávio ou Taremi e foram traídos pelos erros defensivos de posicionamento e passe, terminando eliminados da competição e fora da fase final pela primeira vez desde 2016/17. Sérgio Conceição queria finalmente ganhar a Taça da Liga, queria finalmente oferecer o troféu a Pinto da Costa e queria finalmente fazer o pleno internamente — mas, seja um calcanhar de Aquiles, um azar um o destino, a verdade é que esta Taça não é para ele.

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