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A seis meses do Sónar Lisboa, a organização começa a desvendar a composição do cartaz daquela que será uma espécie de edição irmã do evento e festival de artes, design e música eletrónica e experimental de Barcelona, que já acontece desde 1994.

Os primeiros nomes do cartaz foram anunciados esta quarta-feira e confirmam aquilo que Enric Palau, um dos fundadores do festival, já havia adiantado ao Observador há quatro meses: que o festival terá uma mistura de artistas portugueses e artistas não portugueses, juntando aos ritmos dançantes, eletrónicos e contemporâneos de outras latitudes o “sabor específico de Lisboa”.

Desta primeira vaga de nomes anunciados (outras confirmações serão comunicadas “em breve”), um dos destaques passa pelo anúncio de um concerto no festival de Thundercat, nome artístico do norte-americano Stephen Bruner.

Antigo colaborador de Kendrick Lamar (no seu disco mais aclamado criticamente, To Pimp a Butterfly, de 2015) e já com quatro álbuns editados a solo, o virtuoso baixista e compositor tem sido apontado como um renovador da canção jazzística e R&B, inspirada também pelo funk e pela pop, numa mistura estética muito própria, cheia de groove e quase lúdica na forma como explora as possibilidades modernas da composição. Com um disco editado no ano passado, intitulado It Is What It Is — sucessor de Drunk (2017), o seu momento de afirmação —, Thundercat vai voltar a um país a que se deslocou em 2018, para atuar no festival NOS Primavera Sound.

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Outro dos destaques desta primeira leva de confirmações passa pelo anúncio de uma atuação de Floating Points (Sam Shepherd), um músico, produtor e DJ britânico com reputação sólida no universo da música de dança mais cerebral e que já este ano revelou o álbum mais ambicioso da sua carreira, Promises, uma colaboração com o veterano saxofonista de jazz Pharoah Sanders e com a Orquestra Sinfónica de Londres.

Se, no primeiro lote de nomes do cartaz, há outras propostas internacionais de relevo — prometem-se atuações da DJ e produtora de música de dança Jayda G, um DJ set do duo francês de eletrónica The Blaze ou uma atuação da DJ e produtora musical belga de techno Charlotte de Witte (uma das oradoras da próxima Web Summit), por exemplo —, o primeiro leque de nomes confirma também a influência do “som de Lisboa” e do “som português” no Sónar.

A organização promete por exemplo atuações de DJ Nigga Fox (em modo live act), um dos artistas mais proeminentes e internacionais de música de dança alternativa — e inspirada em ritmos africanos — da editora portuguesa Príncipe Discos, de Nídia, também ela ligada à discográfica nacional e de Pongo, cantora que fez parte dos Buraka Som Sistema e que está agora a ter um percurso internacional a solo muito ancorado em França e movido a ritmos eletrónicos e africanos.

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Entre os nomes nacionais anunciados estão ainda o artista emergentes Eu.Clides, antigo participante do Festival da Canção que este ano lançou um primeiro EP a solo de canções eletrónicas e R&B delicadas e vulneráveis —, uma apresentação da “Enchufada na Zona”, projeto sonoro da editora Enchufada (de Branko), e Diana de Brito, mais conhecida como IAMDDB, cantora e compositora de R&B soul eletrónica e que nasceu em Lisboa mas está a trabalhar na sua carreira a partir do Reino Unido, onde vive desde criança.

Ainda no campeonato da música de dança a organização do Sónar anuncia atuações do duo musical francês, mas inspirado também por ritmos tropicais e brasileiros, Polo & Pan, da “boyband de techno” Fjaak, do DJ (que também gere a sua carreira em Berlim, tal como os Fjaak) Héctor Oaks, do DJ do Uganda Kampire, do DJ franco-equatoriano Nicola Cruz, do norte-americano Stingray 313 e uma atuação em b2b (dupla) de Ellen Allien com Dr. Rubinstein.