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Mort Sahl, considerado o “avô” da sátira política moderna, morreu “pacificamente de velhice” aos 94 anos na sua casa em Mill Valley, na Califórnia, de acordo com a amiga Lucy Mercer, escreve o The New York Times.

Nasceu em Montreal, no Canadá, a 11 de maio de 1927, dois anos antes do crash da Bolsa de Valores de Nova Iorque, mas cresceu em Los Angeles — o pai trabalhou no FBI. De acordo com o Los Angeles Times, Mort foi um “comediante revolucionário” que influenciou nomes como Lenny Bruce ou Dave Chappelle — revolucionou também os espetáculos de stand-up nos anos 1950 ao trazer para os palcos uma “perspicaz” sátira política e social.

Sahl quebrou os estereótipos associados ao stand-up numa altura em que comediantes vestidos de smoking contavam piadas cujas protagonistas eram as próprias mulheres e também as sogras, procurando trazer à ribalta temas e nomes colados à Guerra Fria, tais como o presidente Eisenhower ou o senador Joseph McCarthy. Em 1957, um artigo publicado na New Yorker descrevia assim as suas falas: “Um cruzamento único entre um artigo de filosofia e o jargão do jazz moderno”.

Comedian Mort Sahl

© John Springer Collection/CORBIS/Corbis via Getty Images

A carreira de Sahl foi feita de altos e baixos. Em meados dos anos 60 do século passado, a popularidade do comediante cai a pique depois deste se dedicar a ridicularizar a Comissão Warren, estabelecida para investigar o assassinado do presidente John F. Kennedy.

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Nas décadas seguintes, Shal ressurgiria ocasionalmente, mas anos antes era seguramente considerado uma “estrela” e um “herói de culto da intelectualidade”, segundo o NYT. Era um nome frequente nos clubes de comédia de Nova Iorque, Chicago e São Francisco e reunia audiências compostas por celebridades. Até ao começo dos anos 60, Shal estreara na Broadway, tinha escrito piadas para a campanha presidencial de Kennedy, apresentado a cerómina dos Óscares, aparecido na capa da Time e em dois filmes.

Foi casado quatro vezes, relações que terminaram todas em divórcio, e o único filho morreu em 1996 na sequência de uma overdose de droga.