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O PSD/Santarém chegou a acordo com o PS para governar a autarquia nos próximos quatro anos. Depois de ter perdido a maioria nas últimas autárquicas, Ricardo Gonçalves admitiu ao Observador ter-se sentado à mesa com Chega e socialistas, mas acabou por optar pelo PS e anunciou-o na tomada de posse, na segunda-feira.

“Posso anunciar que já estabelecemos uma base sólida de entendimento com o PS, o que nos trará a necessária estabilidade para a governação do concelho nos próximos quatro anos”, revelou Ricardo Gonçalves, presidente da Câmara Municipal de Santarém, nos primeiros momentos do discurso em que nunca referiu o nome do partido de André Ventura.

O autarca revelou ser defensor de “amplos consensos”, independentemente de haver maiorias absolutas ou não — frisando que já houve tentativas de entendimento há quatro e oito anos —, mas em 2017 o cenário era diferente: a CDU perdeu o vereador que tinha e PSD passou a governar com maioria absoluta, tendo cinco representantes, frente aos quatro do PS.

Desta vez, o PSD conquistou quatro vereadores, o PS outros quatro e o Chega um. Ricardo Gonçalves viu-se obrigado a sentar-se à mesa das negociações para governar, mas no final das contas preferiu uma solução de “bloco central” ao invés de um entendimento com o Chega, que tinha um vereador capaz de dar a maioria no concelho.

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O presidente da autarquia afirmou que o objetivo é “unir pessoas e objetivos em prol de Santarém”, “em prol de um futuro” e está certo de que os socialistas são os parceiros certos para o fazer neste momento. “Juntos, não há dificuldade que não possa ser ultrapassada, nem futuro que não possa ser alcançado”, disse.

Com esta decisão, Ricardo Gonçalves deixou de parte o Chega, que tem apenas um vereador, e que era suficiente para dar a maioria na câmara. Aliás, este era o único local — tendo em conta as imposições do partido liderado por André Ventura — em que o Chega poderia fazer parte de um executivo municipal.

Chega só aceita acordos autárquicos com o PSD e que incluam plano municipal para ciganos

Além das linhas vermelhas estabelecidas por André Ventura — um plano de acompanhamento dos problemas da etnia cigana no município, combate à corrupção, redução da subsidiodepêndencia para metade e a existência de um complemento solidário municipal —, Pedro dos Santos Frazão, o vereador eleito pelo Chega, assegurou que não firmava qualquer entendimento sem que o autarca do PSD aceitasse uma auditoria externa às contas da câmara e empresas.

A negociação não chegou a bom-porto e a decisão final do autarca social-democrata foi deixar o Chega afastado da governação. Perante este cenário, com o acordo entre quatro vereadores do PSD e quatro do PS,  Pedro dos Santos Frazão será o único vereador na oposição em Santarém.