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O candidato à liderança do PSD Paulo Rangel diz que o encontro com Marcelo Rebelo de Sousa — que foi criticado pelo seu adversário Rui Rio — foi a “coisa mais natural do mundo“. Em entrevista à RTP3, o eurodeputado explicou que assim que apresentou a candidatura à liderança do PSD, pediu esta audiência e que foi o Presidente a agendar para esta data. No auge da crise política e na iminência de eleições antecipadas, Paulo Rangel acredita ainda que pode vencer António Costa nas legislativas do próximo ano: “Isto é um bocadinho o efeito Moedas, é o que vai acontecer”.

Paulo Rangel disse que não compreender a polémica de ter sido recebido pelo chefe de Estado e deixou críticas a Rui Rio: “Não é normal que um Presidente em qualquer país possa ouvir os atores políticos que quer? É agora um presidente do partido que vai dizer quem é que o Presidente quer ouvir e em que dias? Isso não cabe na cabeça de ninguém”. E diz que [se alguém numa referência a Rio] se quer vitimizar, não está preocupado com os problemas do país”. Lembrou ainda que Marcelo também recebeu Rui Rio e Luís Montenegro antes das últimas diretas do PSD, algo que os seus apoiantes têm repetido nas redes sociais.

O eurodeputado diz que já viu líderes partidários a “pressionar” o Presidente da República sobre a data de marcação de eleições e que “não acha normal” essa atitude, em mais uma crítica a Rui Rio. Num dia em que foi noticiado que os seus apoiantes iam pedir um Conselho Nacional Extraordinário para mexer nas dinâmicas internas, Paulo Rangel admitiu — sem assumir a paternidade da proposta — que considera “recomendável a antecipação do Congresso”.

Sobre o timing das eleições legislativas, afirmou que “o normal em democracia é deixar os partidos fazerem as suas escolhas e depois marcar eleições”. Ainda sobre as eleições internas, o candidato à liderança diz que não se deve “cancelar eleições dentro do PSD porque não há nenhum facto que justifique isso”.

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O eurodeputado diz que o que ficou claro esta quarta-feira foi a “rutura da geringonça” e que “se há um responsável pela crise política é António Costa e o PS”. Rangel diz que “o melhor para o país era não ter havido crise política nesta fase” e reitera que a culpa é de António Costa que “andou a enganar os portugueses durante todo este tempo”. O candidato à liderança do PSD acrescenta que o país está “num clima de algum apodrecimento das instituições”.

Paulo Rangel diz que “António Costa começou hoje [quarta-feira] a campanha eleitoral, mas não tem credibilidade”, sugerindo que “o país está hoje pior do que há seis anos”. O candidato à liderança do PSD recusa a ideia que Costa possa ter maioria absoluta porque os portugueses percebem que é “um voto inútil e não útil, porque não vai governar à esquerda”. Para Rangel “o voto útil que pode renovar Portugal é no PSD” e deu uma garantia: “Se eu for líder do PSD, não haverá bloco central“.

Paulo Rangel insiste que não haverá um “pântano” político se for eleito líder do PSD porque tem um “projeto para restaurar a vocação maioritária do PSD”. O eurodeputado defende que “o PSD se deve apresentar sozinho em eleições em 2022″ e que vai “pedir uma maioria estável, se puder ser maioria absoluta tanto melhor, se tivermos ser liderantes de um Governo que tenha [outras forças] é o que faremos”. Rangel admite que possa mudar de opinião se o Congresso do PSD o convencer do processo.

Voltando a excluir o Chega, o candidato à liderança do PSD diz que “o CDS é o partido tradicionalmente parceiro”, mas também reconhece na Iniciativa Liberal “uma força política com quem podemos ter uma plataforma de Governo“, lamentando que a IL não tenha feito parte dos Novos Tempos de Carlos Moedas. “Vamos falar com essas duas forças. Com o CDS vai ser mais fácil, mas a IL também tem ideias interessantes.”

Em várias críticas a Rui Rio, o eurodeputado diz que Rui Rio “desiludiu muita gente dentro e fora do PSD” e que contribuiu para que surgissem outras forças à direita. E voltou a repetir, em críticas ao atual líder: “Na oposição, acho que fomos débeis“.

Paulo Rangel recusa a ideia de ter menos experiência governativa qeu Rui Rio e diz que “nem sempre um presidente de câmara, é um bom primeiro-ministro.” O eurodeputado lembra que Passos Coelho também não tinha experiência governativa.

O candidato à liderança do PSD destacou ainda que tem experiência internacional e que ainda há uma semana esteve à conversa com Angela Merkel, que “quis saber como estavam as eleições internas em Portugal”. Rangel diz que será “um líder aberto, cosmopolita, executivo, agregador, com uma visão do mundo e dos problemas do mundo, com uma rede de contactos internacionais útil ao partido e também ao primeiro-ministro”. O eurodeputado acrescenta ainda que tem “uma rede de contactos que se mede ou se bate com a rede de contactos de António Costa e não sei se outros candidatos podem dizer o mesmo”.

Sobre ter tido o pior resultado da história do PSD em 2019, Paulo Rangel diz que “as sondagens estavam empatadas” meses antes das eleições europeias, mas “o doutor Rui Rio optou por fazer um acordo positivo com o BE, o PCP e CDS” sobre os professores no Parlamento e foi “aí que descemos de sondagens de 30, 29, 27 para 18, 19 e recuperámos alguma coisa”. Rui Rio, acusa Rangel, “foi o responsável pela crise dos professores” e por isso não pode imputar o mau resultado das europeias apenas ao cabeça-de-lista, que era Rangel.