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Uma, duas, seis. Depois de um mau início de temporada, a Juventus parecia ter voltado a um processo de alguma normalidade. Não aquela normalidade da última época, a pior de uma década na Serie A culminando no quarto lugar, mas uma normalidade como a que os adeptos da Vecchia Signora estavam habituados como clube com mais títulos em Itália. Afinal, bastou uma derrota em Turim frente ao Sassuolo para fazer ruir tudo e a prova disso mesmo acabou por chegar pelo que se passou nos bastidores da tribuna do estádio.

Como foi possível ver através das imagens televisivas do encontro, Pavel Nedved, diretor desportivo da ex-equipa de Cristiano Ronaldo, surge visivelmente agastado aos gritos nesse espaço, apontando não só para o relvado mas também para o próprio Andrea Agnelli, presidente da Juventus que no seguimento da criação abortada da Superliga Europeia ficou com a sua posição mais fragilizada junto dos adeptos, a que se juntaria depois a vertente desportiva e a componente financeira, em novo exercício com grande prejuízo.

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Com este resultado de 2-1, carimbado por Maxime Lopez no quinto minuto de descontos e com direito a festejo à Cristiano Ronaldo, inclusive com o habitual Siiiiiiii, a Juventus caiu para a sétima posição da Serie A com apenas 15 pontos em dez encontros realizados, havendo já quem diga que o título pode ser uma miragem perante o avanço de AC Milan (13 pontos) e Nápoles (dez mas com menos um encontro). Na Liga dos Campeões, a equipa lidera o grupo só com vitórias frente a Chelsea, Zenit e Malmö, estando apenas a um ponto de assegurar a qualificação para os oitavos da competição com três jornadas por disputar. Ainda assim, no Campeonato, as coisas não estão fáceis depois da terceira época desde 1995/96 em que a equipa sofre três derrotas nos dez primeiros jogos e a primeira desde 1992/93 em que concede pelo menos 12 golos.

“Devíamos ter sido mais organizados, sobretudo no final do encontro. Estes são aqueles jogos que nós não podemos perder se virmos que não dá para ganhar. Devemos refletir na forma como controlamos os jogos, não podemos sofrer golos de contra-ataque. Criámos várias oportunidades para marcar mas, não sendo cirúrgicos, tudo se torna mais difícil. Apesar disso, fomos demasiado frenéticos no final do jogo e isso não pode acontecer. Não é uma questão física, tem a ver com mentalidade”, comentou o treinador Massimiliano Allegri, muito criticado esta quinta-feira na imprensa, à DAZN após a derrota com o Sassuolo.

“Não sofremos tanto como aconteceu por exemplo com o Inter no domingo. Aí conseguimos ser calmos, hoje [quarta-feira] foi tudo frenético. Tivemos o momento do nosso lado. O McKennie fez um bom jogo, o Betancur tem as mesmas características. Não se trata de um problema dos jogadores, é um problema de mentalidade. A Juventus não pode voltar a sofrer estes golos, não pode voltar a acontecer”, acrescentou.