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Um relatório divulgado esta terça-feira, dia 26 de outubro, conclui que os duques de Sussex foram alvo de um ataque de ódio no Twitter. No total, foram analisados 114 mil tweets relacionados com o casal e identificadas 83 contas que, alegadamente, eram responsáveis por 70% dos tweets mais virais a atacar o casal. Desse número total, o relatório isolou 55 contas como fontes primárias de ódio e mais 28 contas como secundárias, ou seja, que se limitavam a ampliar os conteúdos das primárias. As contas reuniam cerca de 187,631 seguidores, mas o relatório estima que, em conjunto, conseguiriam chegar a cerca de 17 milhões de utilizadores. O relatório também sugere uma coordenação propositada para amplificar o ataque e inclui mesmo alguns dos tweets.

A investigação foi feita pelo Bot Sentinel Inc, um site criado em 2018 financiado por crowdfund que se dedica a analisar contas de Twitter e identificar atividade que viola os termos da plataforma, e conclui que o casal foi alvo desta rede social, com 80% das ofensas dirigidas a Meghan. Christopher Bouzy, chief executive da Bot Sentinel disse ao Washington Post que a maioria das contas foi gerada por pessoas, uma vez que procuraram por contas automatizadas e encontraram muito pouca atividade de bots. Segundo o jornal, quatro das 55 contas primárias listadas pelo relatório foram suspensas pelo Twitter, assim como confirma que a rede social não concluiu que houvesse uma manipulação coordenada, ou seja, o uso de várias contas por uma só pessoa.

Em declarações ao BuzzFeed News, Bouzy confessou que esta campanha contra Meghan não se assemelha a nada que ele já tenha visto, diz que não encontra um motivo e chega mesmo a compará-la com campanhas de ataque e desinformação como a que aconteceu no rescaldo dos resultados das eleições presidenciais norte americanas de 2020 ou a campanha para retirar Amber Heard da sequela de Aquaman, depois de ter acusado Johnny Depp de a agredir. O responsável pelo relatório afirma ainda que “esta campanha vem de pessoas que sabem como manipular os algoritmos, manipular o Twitter, manter-se fora do radar para evitar serem detetadas e suspensas. Este nível de complexidade vem de pessoas que sabem como fazer estas coisas, que são pagas para fazer estas coisas.” Bouzy explicou ainda que uma das formas de passarem despercebidas é estas contas, cujo único objetivo é atacar os duques de Sussex,  equilibrarem os conteúdos negativos com comentários positivos sobre outros membros da família real, em especial sobre os duques de Cambridge, William e Kate. Um porta voz do Twitter disse à mesma publicação que estão a “investigar ativamente a informação e as contas referenciadas neste relatório — vamos agir sobre as contas que violam as Regras do Twitter”.

Desde que o relatório foi tornado público, a atividade em volta do casal diminuiu e os Sussex ainda não emitiram qualquer comentário — no dia seguinte, quarta-feira, Meghan surgia em vídeo a ler passagens do seu livro. Já no início de 2020, os duques referiram os ataques das redes sociais como uma das razões que motivou a sua saída da família real, com o casal a tomar mesmo a decisão de abandonar as páginas que mantinham online.

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