Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

Em Queensland, estado australiano, é possível recuperar o esperma de uma pessoa até 36 horas após a sua morte. Foi isso que Ellidy Pullin fez. Agora, 15 meses depois da morte do campeão olímpico Alex ‘Chumpy’ Pullin, a sua namorada de 8 anos anunciou o nascimento da filha de ambos no Instagram. Minnie Alex Pullin nasceu a 25 de outubro.

Antes da morte do snowboarder australiano, Ellidy e Alex já estavam a tentar engravidar e, segundo contou a modelo australiana, o recurso à fertilização in vitro era uma das possibilidades colocadas pelo casal. Numa entrevista à Vogue, depois de anunciar a gravidez, Ellidy explicou como engravidou, depois de recuperar o esperma do namorado após a sua morte, com a ajuda dos pais do atleta.

“Nas semanas após a sua morte, pedi a Deus que estivesse grávida. Rezei por este pequeno milagre. Todos sabiam que estávamos a tentar ter um bebé e já tentávamos há anos. Felizmente, até 36 horas após a morte, a legislação em Queensland permite recuperar o esperma do corpo de uma pessoa falecida. Conseguimos apressar-nos, os pais de Chumpy estavam na cidade e todos se esforçaram para assinar os documentos judiciais”, revelou.

Alex ‘Chumpy’ Pullin, duas vezes campeão do mundo de snowboard cross, representou a Austrália em três Jogos Olímpicos de Inverno — em Vancouver 2010, Sochi 2014 e PyeongChang 2018. Nas Olimpíadas de Sochi foi porta-bandeira da delegação do seu país. Em 2020, o atleta de 32 anos morreu afogado durante um acidente de caça submarina em Palm Beach, Estados Unidos. Apesar das tentativas de reanimação, acabou por morrer no local.

“Quando o meu amor teve o acidente, todos nós mantivemos a esperança de que, naquele mês, eu pudesse estar grávida. Estávamos a tentar ter um bebé”, disse a modelo, acrescentando que nunca pensou ter de passar pela fertilização in vitro sozinha.

Na mesma entrevista, Ellidy frisou que não tinha conhecimento da técnica que permite recuperar esperma de alguém morto e que gostava que mais pessoas conhecessem essa possibilidade. Os sentimentos, disse, são mistos. “É a coisa mais agridoce do mundo, é uma montanha-russa emocional, mas este é o meu maior presente. A vida é literalmente uma loucura, mas vamos ter o nosso bebé. É irreal e emocional”, acrescentou.