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O Deutsches Zentrum für Luft- und Raumfahrt (DLR), o Centro Aeroespacial Alemão, iniciou os testes do que diz ser uma inovadora central solar que recorre a uma tecnologia desenvolvida pela Universidade de Évora. Em vez de aproveitar a energia do sol, convertendo-a em electricidade através de painéis fotovoltaicos, a solução mais vulgar, o Governo alemão está a apostar em centrais solares por concentração da radiação, de modo a gerar elevadas temperaturas. Numa época em que a mobilidade eléctrica obriga à produção de cada vez mais energia, é sempre bem-vinda uma nova solução competitiva para gerar electricidade.

A Universidade de Évora, que possui uma cátedra de energias alternativas que se concentra, entre outras, em centrais solares por concentração, projectou um sistema de acumulação de energia em sal fundido (Évora Molten Salt Platform, ou EMSP), que está a desenvolver na cidade alentejana. É a essa mesma tecnologia que os alemães do DLR recorrem para optimizar a sua central solar.

Face às centrais solares fotovoltaicas, que transformam luz em electricidade, as centrais solares por concentração, que fazem convergir a radiação solar num ponto, através de espelhos côncavos e de forma a gerar calor em grande quantidade, estas últimas são substancialmente mais eficientes, pela energia que produzem, mas muito mais caras, o que tem obviado à sua adopção em massa. A tecnologia não é nova, mas o que Évora conseguiu – e o que o DLR persegue -, é uma forma de reduzir os custos de montagem e operação, tornando-as mais competitivas.

As centrais fotovoltaicas só produzem durante o dia e as eólicas geram mais energia durante a noite, quando há mais vento, pelo que falta uma solução não poluente (além da hídrica e das ondas) que forneça energia durante 24 horas. A solução defendida pelos alemães e por Évora passa por transportar o calor gerado pelos raios solares através de condutas onde circula óleo, calor esse que, por sua vez, irá ser acumulado em sal fundido, num sistema com perdas tão reduzidas quanto possível para tornar a tecnologia mais eficaz.

O DLR acredita que, com o EMPS de Évora, estas centrais por concentração serão mais interessantes e competitivas, com o sal fundido a poder atingir temperaturas mais elevadas (560ºC), energia que depois é aproveitada como em qualquer central térmica, aquecendo água para, com o vapor, fazer funcionar um gerador de corrente. A energia acumulada no sal permite à central solar por concentração fornecer energia 24 horas por dia, tornando-se assim mais versátil. O que as fotovoltaicas e eólicas também conseguem com recurso a baterias estacionárias.

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