A Polícia Civil do Rio de Janeiro informou este domingo que agentes da corporação estão a realizar diligências, inclusive na mata próxima, em busca de indícios relacionados com o assalto no Consulado-Geral de Portugal do Rio de Janeiro, ocorrido na madrugada de sábado.

“Os polícias realizam diligências, inclusive na mata próxima, em busca de indícios relacionados ao crime que possam ajudar a identificação da autoria”, destacou a corporação em nota de imprensa.

A autoridade policial também confirmou que o caso foi registado no 10.º Distrito Policial de Botafogo, na cidade do Rio de Janeiro.

“A perícia foi realizada no local e imagens de câmaras de segurança foram requisitadas para análise”, concluiu a Polícia Civil.

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A residência oficial do cônsul de Portugal no Rio de Janeiro, sede do Consulado, foi invadida na madrugada deste sábado e o diplomata, Luís Gaspar da Silva, e os seus familiares foram feitos reféns, disse à Lusa fonte diplomática. O ministro dos Negócios Estrangeiros garante que o cônsul está bem – e o Presidente da República já lhe telefonou.

Posteriormente, os reféns foram libertados e não há registo de feridos, segundo o jornal O Globo, que noticiou ainda que a Polícia Civil esteve no local para a realização de perícias e está agora a investigar o caso.

Aos agentes da polícia, testemunhas disseram que os assaltantes não sabiam que ali funcionava o consulado, acreditando tratar-se apenas de uma mansão.

Segundo o depoimento de uma vizinha, citada pel’O Globo, todos os reféns foram mantidos numa das divisões da residência sob a vigilância de dois dos assaltantes por cerca de 50 minutos, tendo conseguido levar do local objetos de valor.

O cônsul-geral de Portugal, Luiz Gaspar da Silva, e os seus familiares estão traumatizados, disse à Lusa o vice-cônsul, João Marco de Deus: “Estão fisicamente bem (…), obviamente bastante traumatizados, como todos estaríamos, mas estão bem. Está tudo bem com a família do cônsul e não há o que reportar, quer com a família do cônsul quer com os funcionários”.

João Marco de Deus disse que o assalto ocorreu às 2h00 de sábado (5h00 em Lisboa) e que a família do cônsul e os funcionários foram surpreendidos pelos criminosos e permaneceram por algum tempo como reféns. O diplomata confirmou também que os criminosos levaram bens pessoais do cônsul e família e dos funcionários.

O ministro dos Negócios Estrangeiros garantiu à Lusa que o cônsul-geral português no Rio de Janeiro e família “estão bem”. “Confirmo que infelizmente houve hoje [sábado] um assalto à mão armada (…) à residência do nosso cônsul-geral no Rio de Janeiro, de que foi vítima o cônsul-geral e familiares, felizmente sem consequências pessoais”, afirmou Augusto Santos Silva.

O assalto decorreu “durante a madrugada” e “não houve nem exercício de violência, nem feridos, mas foram furtados vários bens pessoais do senhor embaixador, que é o nosso cônsul-geral no Rio de Janeiro”, acrescentou o ministro.

“Eu falei com o senhor cônsul-geral há coisa de meia hora e, portanto, posso confirmar que ele está bem e que houve infelizmente esse assalto e que o assalto foi à mão armada, por um grupo de homens, e em resultado disso há a lamentar o roubo de vários bens”, adiantou.

“O cônsul-geral e a sua família estão bem, já recuperaram do mau bocado por que passaram” e agora a “polícia brasileira está já a tomar conta da ocorrência e a tentar descobrir os culpados”, disse Augusto Santos Silva.

“Há a lamentar essa ocorrência, a polícia brasileira já procedeu aos primeiros inquéritos, o nosso cônsul está a colaborar com a polícia e esperemos agora que sejam realizadas as diligências e as investigações necessárias”, concluiu o ministro.

A comunidade portuguesa no Rio de Janeiro está solidária com o cônsul, Luís Gaspar da Silva, e familiares, feitos reféns na madrugada de sábado, mas não ficou surpreendida com o assalto, disse à Lusa o conselheiro Flávio Martins.

“A comunidade portuguesa, pelo menos os que falaram comigo, está com o nosso cônsul-geral e com a sua família, mas não nos surpreende. Porque isso já é um pouco daquilo a que as pessoas estão sujeitas, infelizmente, no Brasil e, particularmente, no Rio de Janeiro. Claro que assusta e preocupa qualquer um, mas não nos surpreende, porque sabemos que a maior parte da comunidade já deve ter passado por uma experiência idêntica, em casa, na rua ou no seu carro”, disse.

Flávio Martins, presidente do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) e residente no Rio de Janeiro, lamentou o crime ocorrido no bairro de Botafogo, e espera que as consequências psicológicas não lhes causem um “dano muito grande”.

“Todos estamos solidários e esperamos que isso não lhes cause um dano muito grande, no sentido psicológico, e que saibam que o Rio de Janeiro é uma cidade boa e acolhedora, apesar de ter todas essas questões que talvez existam em todas as grandes cidades, mas que no Rio de Janeiro acabam por acontecer mais vezes”, afirmou.

“Eu imagino, por exemplo, o choque que tudo isto pode ter sido para a nossa consulesa, que está há bem menos tempo aqui no Rio de Janeiro, e até para o próprio cônsul, apesar de já estar no Brasil há mais de meio ano. É um péssimo cartão de visita que se dá a essas pessoas. Contudo, é bem mais comum do que o que se possa imaginar”, revelou.

Apesar de não ter muitos detalhes do que aconteceu durante o assalto, Flávio Martins sabe que os assaltantes imobilizaram os seguranças e, consequentemente, conseguiram entrar na residência “e ficaram ali horas, à procura de objetos valiosos que pudessem levar”, “prenderam o cônsul e a família num quarto durante algum tempo, havendo, portanto, uma situação de tortura psicológica”, que “poderia ter terminado até pior”.

Mesmo reconhecendo várias qualidades à ‘cidade maravilhosa’, o conselheiro admite que o Rio de Janeiro padece de problemas estruturais, que se refletem no aumento do crime e da violência.

“O Rio de Janeiro é uma cidade imensa, com muitos problemas sociais, muitas assimetrias. (…) porque tem uma característica em que não há bairros com determinadas classes sociais, há uma mistura muito grande e ali a região de Botafogo, onde se encontra o Palácio de São Clemente [Consulado de Portugal], é exemplo disso. Ali há moradias de classe média alta e há também, nas encostas, inclusive nas traseiras do consulado, uma comunidade muito carente, que é a favela do Morro de Santa Marta”, detalhou.

Tendo isso em conta, o presidente do CCP não acredita na versão de que os assaltantes não saberiam que estavam a assaltar o consulado, conforme relataram testemunhas.

“Eu acho que eles sabiam muito bem onde estavam a entrar e, por saberem, talvez quisessem euros ou alguma coisa assim, até porque o câmbio está hoje muito favorável ao euro (um real brasileiro equivale a 6,51 euros) e, provavelmente tivesse sido um chamariz para os assaltantes”, indicou.

A situação causa alguma perplexidade, segundo Flávio Martins, até porque “a cerca de 100 metros” está uma das sedes da prefeitura do Rio de Janeiro, que é o Palácio de São Joaquim: “Se entraram no Consulado, poderiam ter entrado, inclusive, num dos Palácios da prefeitura, onde o prefeito atende”.

“É uma cidade com muita insegurança social ainda e, talvez, agravada por toda esta situação [pandemia de Covid-19], porque a economia no Brasil também não anda boa e uma coisa pode repercutir na outra, o que não justifica [o crime], mas talvez nos faça entender um pouco disso tudo”, advogou Flávio Martins.

Santos Silva. Cônsul-geral no Rio de Janeiro e família “estão bem”

O ministro dos Negócios Estrangeiros garantiu hoje à Lusa que o cônsul-geral português no Rio de Janeiro e família “estão bem”, depois de terem sido vítimas de um “assalto à mão armada” na sua residência oficial.

“Confirmo que infelizmente houve hoje [sábado] um assalto à mão armada (…) à residência do nosso cônsul-geral no Rio de Janeiro, de que foi vítima o cônsul-geral e familiares, felizmente sem consequências pessoais”, afirmou Augusto Santos Silva.

O assalto decorreu “durante a madrugada” e “não houve nem exercício de violência, nem feridos, mas foram furtados vários bens pessoais do senhor embaixador, que é o nosso cônsul-geral no Rio de Janeiro”, acrescentou o ministro.

“Eu falei com o senhor cônsul-geral há coisa de meia hora e, portanto, posso confirmar que ele está bem e que houve infelizmente esse assalto e que o assalto foi à mão armada, por um grupo de homens, e o resultado disso há a lamentar o roubo de vários bens”, adiantou.

“O cônsul-geral e a sua família estão bem, já recuperaram do mau bocado por que passaram” e agora a “polícia brasileira está já a tomar conta da ocorrência e a tentar descobrir os culpados”, disse Augusto Santos Silva.

“Há a lamentar essa ocorrência, a polícia brasileira já procedeu aos primeiros inquéritos, o nosso cônsul está a colaborar com a polícia e esperemos agora que sejam realizadas as diligências e as investigações necessárias”, concluiu o ministro.

Marcelo Rebelo de Sousa falou com cônsul do Rio Janeiro

O Presidente da República falou no sábado à noite com o cônsul-geral português no Rio de Janeiro, que foi vítima de um assalto à mão armada na sua residência oficial, segundo uma nota divulgada este domingo pela Presidência da República.

“O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa inteirou-se da situação ocorrida com o cônsul-geral de Portugal no Rio de Janeiro, Luís Gaspar da Silva, com quem falou ontem [sábado] à noite”, lê-se no comunicado.

No sábado, fonte diplomática confirmou à Lusa que a residência oficial do cônsul de Portugal no Rio de Janeiro, sede do Consulado, tinha sido invadida na madrugada de sábado e o diplomata, Luiz Gaspar da Silva, e os seus familiares tinham sido feitos reféns.

Posteriormente, os reféns foram libertados e não há registo de feridos, segundo o jornal O Globo, que noticiou ainda que a Polícia Civil esteve no local para a realização de perícia e está agora a investigar o caso.