O BPI obteve lucros de 242 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, o que compara com os 86 milhões do período homólogo, informou o banco em comunicado enviado à CMVM esta terça-feira. Em Portugal, o banco ganhou 137 milhões (lucros recorrentes), quase o triplo de 2020.

O resultado (recorrente) na atividade em Portugal nos nove meses de 2020 tinha sido, como lembra o banco, marcada por “imparidades significativas para prevenir potenciais impactos da pandemia”.

Um dos fatores a impulsionar os resultados deste período foi a receita com comissões, que subiu 15,7%, “impulsionadas pelo dinamismo comercial nos fundos de investimento e seguros de capitalização e pelo aumento da intermediação de seguros, e das comissões bancárias associadas a crédito e a contas, que compensaram a descida nas comissões de meios de
pagamento”, diz o banco.

A margem financeira do banco, um dos indicadores mais importantes para avaliar a operação dos bancos, subiu 2,8% em termos homólogos, em 340 milhões. “O produto bancário registou um crescimento significativo de 10,2% face ao período
homólogo, suportado pelo desempenho robusto dos proveitos core (+7,4% em termos homólogos) e o aumento dos resultados em operações financeiras”.

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O banco diz que tem tido apenas “algumas dezenas” de reestruturações relacionadas com o fim das moratórias, o que é muito abaixo das expectativas que o próprio banco tinha – uma boa notícia que, na opinião, é transversal a toda a banca portuguesa.

A 30 de setembro, 97,5% das Moratórias de Crédito atribuídas pelo BPI estavam em situação regular (crédito classificado em stage 1 e stage 2). Isto significa que a vasta maioria diz respeito a clientes que não perderam qualquer capacidade de pagamento ou, então, onde existe alguma evidência de deterioração a esse nível (mas não ao ponto de se considerar stage 3, em que o incumprimento das condições é provável).

No final de setembro terminaram moratórias correspondentes a 3,6 mil milhões de crédito (dos quais, 1,4 mil milhões de crédito à habitação). Face ao comportamento até à data desses créditos, não é expectável uma degradação da qualidade de carteira de crédito do BPI.”

“Os resultados dos primeiros nove meses de 2021 evidenciam que o BPI mantém a trajetória de crescimento da atividade comercial e das quotas de mercado, alicerçada numa forte subida nos recursos, no crédito à habitação e na venda de produtos de poupança e investimento”, escreveu o presidente do BPI no comunicado de imprensa. “Paralelamente, o banco apresenta uma elevada qualidade dos ativos e uma capitalização confortável”, acrescenta o responsável.

João Pedro Oliveira e Costa diz que os próximos tempos serão “chave” para Portugal prosseguir com a retoma – alertando que, exceção feita a Espanha, Portugal é o país europeu que está mais atrasado na recuperação do produto económico pré-pandémico.

É nesse contexto que surge uma crise política que pode perturbar essa retoma. “Vamos ter muita atenção é no tempo que poderá durar e no impacto na confiança das pessoas”, afirmou João Pedro Oliveira e Costa, acrescentando que “a solução [política] que surgir, seja qual for, estaremos cá para dar uma resposta”.

O banqueiro destacou, porém, que “felizmente, vários setores estão a confirmar um pouco as expectativas positivas que tínhamos, nomeadamente no campo turismo, que já alcançou alguns valores que não eram pensáveis nesta altura do ano”, disse o responsável, em conferência de imprensa, salientando que o setor do turismo continua a ser um “setor de futuro” para Portugal.

Quadro reduziu-se em 77 trabalhadores, com reformas e rescisões

O BPI reduziu a força laboral em 77 trabalhadores até setembro por reformas antecipadas e rescisões por mútuo acordo, processo em que gastou 13,9 milhões de euros, dizendo o presidente executivo que o banco não tem objetivos concretos para reduções de funcionários.

“O setor financeiro português tem uma média etária relativamente elevada e por isso tivemos redução [de trabalhadores] nos últimos anos e vamos ter de fazer renovação de quadros. Também o modelo de negócio se alterou e as pessoas têm de se adaptar e nós temos de nos adaptar. Nós, no BPI, não temos um objetivo concreto para redução de pessoas”, afirmou João Pedro Oliveira e Costa, em Lisboa, na conferência de imprensa de apresentação de resultados dos primeiros nove meses do ano.

Contudo, o banco tem avançado com a saída de trabalhadores. Entre janeiro e setembro, houve a saída de 77 empregados por reformas antecipadas e rescisões por mútuo acordo, processo em que foram gastos 13,9 milhões de euros. Segundo o presidente executivo do BPI, o seu objetivo na liderança do banco não é reduzir custos, mas “ganhar negócio, quota de mercado”, pois assim o banco “conseguirá reter mais pessoas”.

“Queremos ir pelo lado do crescimento e não tanto pela contenção de custos. O meu objetivo não é o ‘cost-to-income‘ [custos face a lucros], é o ‘income‘ [lucros]”, disse.