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Maiores tempos de espera e preços mais elevados são duas questões que estão a afetar os clientes de TVDE (transporte individual e remunerado de passageiros em veículos descaracterizados a partir de plataforma eletrónica). Ambos parecem ser consequência de haver menos motoristas e, logo, menos carros, em circulação, num serviço ainda a recuperar do período de pandemia, segundo notícia do Público.

De acordo com a lei, recorda o jornal, os preços podem subir, no máximo, para o dobro do valor médio “do preço cobrado pelos serviços prestados nas 72 horas imediatamente anteriores por esse operador”. A lei está a caminho de ser mudada, mas espera um relatório do Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT).

Segundo fonte oficial da Uber disse ao Público, houve “uma recuperação da procura mais rápida do que do lado da oferta”, o que levou a “que em muitos casos a tarifa dinâmica está ativa de forma a equilibrar a procura e oferta e garantir a disponibilidade do serviço 24 horas por dia”. A empresa acrescenta que está a tentar garantir a acessibilidade do serviço e, desde 14 de outubro, explica a mesma fonte “passou a ser possível fazer viagens com o Uber X Saver na Área Metropolitana de Lisboa, fora dos períodos e localizações de maior procura, por um valor 25% mais baixo”.

Na Free Now, o director-geral da empresa no mercado português, Bruno Borges, explica que a empresa optou por um aumento da tarifa mínima por viagem, assim como também foram eliminadas as  tarifas low cost. Acrescenta que com esta posição “ao contrário dos nossos concorrentes, no sentido de tentarmos mitigar a precariedade e as baixas remunerações associadas à carreira de motorista TVDE”.

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Na Bolt, o diretor-geral, Nuno Inácio, diz que o problema está na falta de veículos, que acredita ser uma consequência da falta de semicondutores e que terá também tido influência no preço das viagens. O responsável afirma que o objetivo é “proporcionar o máximo de lucro possível aos motoristas e o menor custo aos utilizadores”, por isso apostaram em ter “uma equipa de desenvolvimento que trabalha diariamente para melhorar o algoritmo de cálculo dos preços e criar opções mais económicas e sustentáveis, sendo a categoria Economy um exemplo disso”.

A subida do preço dos combustíveis também tem consequências neste negócio, nomeadamente no aumento dos custos. Os TVDE não são considerados transporte público, ao contrário dos táxis, e por isso a Uber já disse esperar que os operadores destes veículos “possam vir a ser incluídos nos apoios que o Governo anunciou para todas as outras actividades de transporte de passageiros e mercadorias”. O responsável da Free Now explica que este aumento de custo leva a uma redução das margens para os motoristas o que leva a profissão a tornar-se menos apetecível e, depois, a uma oferta ainda menor.

Do lado dos trabalhadores, um membro do grupo executivo do TVDE no Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal (STRUP, ligado à FECTRANS/CGTP), Marcos Pais, faliram ou deixaram de exercer atividade como consequência da pandemia. Acrescenta que os preços “revelam a relação procura-oferta, através de algoritmos só conhecidos das plataformas” e que o facto de os preços aumentarem nas horas de maior procura, leva a que os motoristas procurem mais estas janelas temporais, deixando as restantes com menos oferta.