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“Três Andares”

Nanni Moretti foi buscar um livro do israelita Eshkol Nevo para contar as histórias cruzadas dos membros de três famílias que vivem nos três condomínios de um prédio de Roma, ao longo de uma década. A escolha da obra não parece ter sido a mais feliz e “Três Andares” está bem longe do melhor Moretti, que não se mostra à altura dos seus pergaminhos desde “O Caimão” (2006). Este “Três Andares” é ainda mais mortiço, baço e desinteressante do que o anterior “Minha Mãe” (2015), uma canjinha que não levanta fervura dramática e roça o telenovelesco na caracterização das personagens, nos climas emocionais e no desenho das situações. Moretti aparece no papel de um pai e juiz severo, e não serve de nada que se tenha rodeado de atores como Margherita Buy, Alba Rohrwacher ou Riccardo Scamarcio.

“Eternos”

Chloé Zhao, a realizadora de “Nomadland-Sobreviver na América”, vendeu a alma “indie” à Marvel com esta elefantina e deturpadora adaptação ao cinema do “comic” criado por Jack Kirby nos anos 70, e cujas personagens, os Eternals, super-heróis com sabor mitológico gerados por uma entidade cósmica, recebem aqui o inevitável tratamento “woke”: algumas mudam de género, outras tornam-se étnicas e “gay” e uma das principais pura e simplesmente desaparece. O filme é mais uma daquelas bisarmas de juntar por números da Marvel que estão a dar cabo de Hollywood, espalhafatosa, previsível e cravejada de efeitos especiais, e também pessimamente interpretada por uma galeria de atores que inclui Angelina Jolie, Salma Hayek ou esse poderoso canastrão que é Richard Madden.

“Spencer”

O realizador chileno Pablo Larraín, que já antes retratou Jacqueline Kennedy de forma controversa em “Jackie” (2016), dedica-se, neste filme totalmente ficcional em que a protagonista é a princesa Diana, a especular sobre o que poderia ter acontecido na propriedade de Sandringham, em 1991, quando a família real lá foi passar o Natal, como é tradição, e a Princesa de Gales se sentia mais sufocada do que nunca pelo seu casamento com o príncipe Carlos e pelas obrigações, rituais e tradições dos Windsor. Kristen Stewart interpreta Diana, na companhia de atores como Timothy Spall e Sally Hawkins. “Spencer” foi escolhido como filme da semana pelo Observador e pode ler a crítica aqui.

“Mestres Japoneses Desconhecidos”

Tomotaka Tasaka, com “O Menino da Ama”, a história de uma ama que vem da província trabalhar para Tóquio; Kôzaburô Yoshimura, com “Mulheres de Ginza”, ambientado numa casa de gueixas da capital nipónica; e Tomu Uchida, com “Cada Um na Sua Cova”, sobre uma viúva que procura um marido para a sua enteada de espírito independente, são os três cineastas japoneses cuja descoberta este mini-ciclo nos propõe. Os filmes são inéditos em Portugal e têm a particularidade de terem sido todos realizados em 1955. As sessões decorrem, em Lisboa, no Cinema City Alvalade (4 a 10 de novembro), e no Porto, no Teatro Campo Alegre (11 a 17 de novembro).

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