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Procurando apelar aos clientes que revelam uma tendência crescente para privilegiar SUV com um estilo mais coupé, isto é, com uma linha de tejadilho mais pronunciada, em sentido descendente rumo à traseira, a Volkswagen apostou em fazer crescer a sua gama eléctrica com o novo ID.5, que mais não é do que um ID.4 com ligeiras alterações em termos de proporções e o tal ar de “coupé” cada vez mais em voga. Neste caso, tal opção obriga os ocupantes dos lugares de trás a usufruir de menos 1,2 cm de altura livre (da cabeça ao tejadilho). De resto, mantém-se praticamente tudo o que respeita às características essenciais: plataforma e motores eléctricos, só que agora exclusivamente alimentados pela “maior” bateria da casa, com 77 kWh de capacidade útil (82 kWh brutos), o que permite à marca anunciar até 520 km de autonomia, de acordo com o protocolo europeu de medição de consumos e emissões WLTP.

O novo ID.5 que, ao que o Observador apurou, vai chegar ao mercado português em Abril do próximo ano, previsivelmente exigindo o desembolso de mais 5000€ do que o ID.4 em condições equivalentes em termos de equipamento (embora os preços ainda não estejam “fechados”), surge em três versões, duas das quais montando apenas um motor eléctrico no eixo traseiro e uma outra, de pendor mais desportivo, que oferece tracção integral em determinadas condições, 299 cv de potência e 480 km entre recargas. Esta é a segunda declinação GTX, depois do ID.4 que enverga a mesma sigla, mas agora num SUV coupé que mantém a mesma distância entre eixos (2,76 m).

Crescendo 1,6 cm em comprimento e reduzindo a altura em 3 cm face ao ID.4, o novo ID.5 mede 4,60 m nas versões apenas com motor atrás ou 4,58 m no caso da versão GTX, fixando a altura nos 1,61 m e a distância ao solo em 16 cm. A bagageira aumenta ligeiramente (6 litros), passando a reclamar 549 litros ou 1561 litros, se rebatidos os bancos posteriores, no que constitui um dos melhores valores desta classe de veículos. Melhor do que o “mano” Audi Q4 e-tron Sportback (também assente na MEB) que anuncia 535 e 1460 litros, respectivamente. E melhor que o rival Ford Mustang Mach-E que, apesar de disponibilizar uma frunk com 100 litros e uma mala com 402 litros, com uma fila de bancos disponível fica-se pelos 1420 litros. Neste ponto, o novo ID.5 perde apenas para o Tesla Model Y, que mesmo com duas filas de bancos em utilização permite arrumar 854 litros na bagageira de trás e mais 117 litros na frente, capacidade que dispara para 2041 litros mediante o rebatimento dos bancos traseiros.

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O ID.5 Pro conta com um motor de 174 cv, enquanto o Pro Performance eleva a potência até aos 204 cv, sendo que para ambos os casos a marca anuncia uma autonomia de até 520 km. Enquanto o ID.4 lida no máximo com uma potência de 125 kW em corrente contínua (DC), o ID.5 aceita 135 kW, o que lhe permite armazenar energia na bateria para percorrer entre 320 e 390 km em apenas meia hora, segundo a marca. Em corrente alternada (AC), o carregamento pode processar-se a uma potência máxima de 11 kW. E, lá mais para a frente (quando não foi especificado), o ID.5 será capaz não apenas de extrair energia da rede, mas também de fornecer, usufruindo de um sistema de carga bidireccional como já conhecemos em modelos de segmento inferior como o Renault Zoe ou o Nissan Leaf.

Quanto ao interior, prevalece a lógica minimalista que se encontra nos restantes eléctricos de nova vaga da Volkswagen, “dominado” por um painel de instrumentos de 5,3 polegadas e um ecrã central de 12″, mas o software é de última geração (3.0), estando preparado para receber actualizações over-the-air. A qualidade dos materiais, que foi uma das críticas mais apontadas ao ID.3, evoluiu no ID.4 e neste ID.5 espera-se novo salto qualitativo. Mas sempre prescindindo do couro animal, para associar ao modelo uma imagem de maior sustentabilidade.

A capacidade de reboque, tão valorizada pelos alemães, é de 1200 kg nas versões RWD e de 1400 kg no GTX. Aqui, a ressalva de que a tracção integral é permanente mas, por defeito, o motor de accionamento é o traseiro (204 cv) e o da frente só é solicitado quando se selecciona o modo de condução Sport ou Traction. Mas convém recordar que, pelo menos no caso do ID.4 GTX, a potência máxima (299 cv) implica que a bateria esteja a uma temperatura entre 23 e 50ºC e com a carga acima de 88% da capacidade, estando disponível durante 30 segundos.

Quanto a prestações, os 0 a 100 km/h em 6,2 segundos do ID.4 GTX passam para 6,3 segundos no ID.5 homónimo, estando ambos limitados a uma velocidade máxima de 180 km/h. Mas o coeficiente aerodinâmico foi melhorado, tendo passado dos 0,28 do ID.4 para 0,26 no ID.5 e 0,27 na versão GTX, graças em parte ao spoiler traseiro.