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O ataque com um drone à residência do primeiro-ministro do Iraque está a ser visto por dirigentes e oficiais iraquianos como o sinal de uma escalada de luta pelo poder entre os líderes do Iraque e grupos de militantes apoiados pelo Irão que procuram contrariar o resultado das eleições legislativas outubro, nas quais as milícias dominadas por xiitas e pró-iranianos perderam terreno.

Segundo o The Guardian, vários dirigentes e oficiais séniores iraquianos classificam o ataque — do qual Mustafa al-Kazemi escapou ileso — como uma tentativa de assassinato que, a confirmar-se, seria a primeira ofensiva contra um primeiro-ministro desde a invasão do Iraque pelos EUA para derrubar o regime de Saddam Hussein, há quase 19 anos.

Este domingo, a Célula de Informação de Segurança informou que houve “uma tentativa falhada de assassinato do primeiro-ministro, o comandante-em-chefe das Forças Armadas, por um drone com explosivos, lançado sobre a sua residência na Zona Verde em Bagdade”. Al-Kazemi “não foi ferido e está de boa saúde”, acrescentou. Segundo o jornal britânico, sete dos guardas do primeiro-ministro ficaram com ferimentos mais graves, mas nenhum corre risco de vida.

Figuras dos serviços de informação regionais acreditam que o ataque foi perpetrado por grupos ligados ao Irão, que perdeu dois terços dos assentos parlamentares nas eleições de outubro. O The Guardian diz mesmo que o ambiente político é “cada vez mais imprevisível”.

PM iraquiano escapa ileso de ataque de drone com uma bomba

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Nós dizemos que as milícias fizeram isto”, afirma um oficial iraquiano, que coloca a hipótese de as autoridades iranianas estarem informadas sobre o ataque. “Dizemos que os iranianos talvez soubessem. Não temos mais certezas do que isso.”

A Zona Verde, em Bagdade, onde a residência do primeiro-ministro está localizada, já tinha sido alvo desses grupos ligados ao Irão. Na sexta-feira, tentaram entrar naquela Zona, mas foram travados pelas forças de segurança. Um manifestante morreu e várias pessoas ficaram feridas.

Os resultados eleitorais das eleições de 10 de outubro estão a ser contestados por vários partidos, que os consideram fraudulentos. A oposição vem sobretudo das milícias representadas na Multidão Popular, composta essencialmente por xiitas e pró-iranianos.

Os EUA já reagiram ao ataque, primeiro através do porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price, e mais tarde pelo secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, que se comprometeu a apoiar as forças de segurança nas investigações. Antony Blinken “transmitiu o seu alívio por o primeiro-ministro não ter sido ferido”, lê-se num comunicado. Blinken defendeu que o ataque “foi também um ataque à soberania e estabilidade do Estado iraquiano”.