Dois meses depois da primeira parte, realizada nos dias 11 e 12 de setembro, em diversas livrarias independentes de Portugal, Brasil e Cabo Verde, o Abecedário_Festival da Palavra volta a abrir as portas, a 10 de novembro, para mais um dia dedicado à “Proximidade”, palavra escolhida como o mote da edição de 2021.

A 1.ª parte do Abecedário_Festival da Palavra da edição de 2021 realizou-se nos dias 11 e 12 de setembro. A 10 de novembro, dá-se a segunda parte do festival.

Este aguardado regresso está envolto de algum simbolismo para a organização uma vez que, no ano passado, a pandemia obrigou a cancelar aquela que seria a segunda edição desde festival literário, depois do sucesso do ano de estreia.

Carlos Moura-Carvalho, fundador e curador do evento, recorda mesmo a edição de 2019 como o “concretizar do desafio de realizar um inédito festival literário em Lisboa, centrado em tertúlias em pequenas livrarias independentes, abordando diferentes prismas de uma palavra”, a qual, nesse primeiro ano, foi “Fronteira”.

No cardápio da primeira edição, “tivemos mais de 20 painéis de conversa, em cinco livrarias, três cafés históricos de Lisboa e três bibliotecas. Além disso, oferecemos o espetáculo ‘Lisbonwood’, do coletivo Crianças Loucas, realizado no salão nobre da Biblioteca de Galveias, assim como sessões de poesia junto à Cabine de Leitura, a promotora do festival”, recorda.

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Já “para 2020, a palavra escolhida foi “Fado”, e foi isso mesmo que aconteceu. Com todos os painéis fechados, viagens pagas para convidados estrangeiros, organização e comunicação prontas, a dias da abertura, tivemos de cancelar tudo devido à pandemia e ao primeiro duro confinamento. Mas este ano, voltámos a recriar o conceito, fazendo um festival mais pequeno, apenas em três livrarias e com todas as conversas transmitidas online”, congratula-se Carlos Moura-Carvalho.

Partilha em dose dupla

“Sempre acreditei numa cultura de proximidade, com base numa estratégia cultural de bairro e uma política cultural próxima das pessoas, que as envolva, inclusivamente na programação e gestão”, defende Carlos Moura-Carvalho, sublinhando que as vantagens dessa participação são evidentes para “garantir uma cidade com uma cultura de partilha e envolvimento cívico, culturalmente diversificada, afetiva, próxima, vivida e sentida. Com a pandemia, tudo isto se tornou ainda mais evidente, e, logo em janeiro deste ano, definimos que a palavra a abordar no Abecedário_Festival da Palavra de 2021 seria “Proximidade”.

1.ª parte do Abecedário_Festival da Palavra da edição de 2021, entre os dias 11 e 12 de setembro.

Quanto à decisão de dividir o evento em duas partes, Carlos Moura-Carvalho confessa que “tal não estava inicialmente pensado”. E explica a razão: “O que aconteceu foi que o ex-presidente da República, Jorge Sampaio, faleceu no dia da abertura do Festival e entendemos cancelar toda a programação. Assim, o primeiro dia do evento, a realizar na Livraria Barata, e constituído por um painel de conversa entre o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e vários jovens do ensino secundário, e um concerto de jazz, passou a constituir uma segunda parte do Festival, precisamente dois meses depois”.

Para rever e ver

Em forma de resumo dos primeiros dias de festival deste ano, Carlos Moura-Carvalho, recorda “conversas muito estimulantes, com convidados de áreas muito diferentes e que partilharam perspetivas enriquecedoras, e que podem ser revistas na página de Facebook do evento. Dessas, destacaria o debate entre escritores portugueses e brasileiros que decorreu na livraria Tinta nos Nervos. Foi um momento especial, de partilha e amizade entre dois países que precisam estar mais próximos”.

Programação do segundo dia de festival

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Tendo como espaço de eleição a Livraria Barata, em Lisboa, eis os eventos programados para o dia 10 de novembro, segunda parte do Abecedário_Festival da Palavra 2021:

  • 18h <> O debate O Futuro Já Começou junta Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, e um grupo de jovens com menos de 20 anos da Escola Secundária D. Filipa de Lencastre e do Colégio do Sagrado Coração de Maria, com o objetivo de refletir sobre a proximidade como um valor para o futuro, seja na família, trabalho, vida ou amizade e relação com o próprio país.  A moderação é da jornalista Rita Rato Nunes e terá transmissão em direto no Facebook da Livraria Barata.
  • 19h30 <> Apresentação do projeto cultural Roda Livre Itinerante, cujo mote é “Cultura é o que nos move.”
  • 19h45 <> Concerto de jazz do músico André Carvalho, um português radicado em Nova York, que tocará com o seu trio excertos do último projeto “Lost in Translation”, inspirado em palavras intraduzíveis de diferentes línguas.

Já no que toca ao programa idealizado para o dia 10 de novembro, o fundador e curador do evento sublinha o já referido “debate entre Marcelo Rebelo de Sousa e alunos do ensino secundário, intitulado ‘O Futuro já começou’, em que se abordará a perspetiva dos jovens sobre a família, a escola, o país e o futuro, partilhando uma roda de conversa com um símbolo máximo da nossa democracia, que, além de ser o Presidente da República, é pedagogo, professor, comunicador e um símbolo da proximidade, e que muito nos honra com a sua participação”. Além disso, Moura-Carvalho refere ainda a “realização de um concerto jazz do músico André Carvalho, que vive há muitos anos em Nova York e tem estado a dar vários concertos em Portugal com reconhecido sucesso”. O espaço eleito como palco para este dia é a Livraria Barata, em Lisboa, e Carlos Moura-Carvalho justifica essa escolha com um sentimento muito pessoal. “Trata-se da ‘minha’ livraria em Lisboa desde sempre, pois entre a infância e juventude, cresci na Avenida Estados Unidos da América e os meus avós viviam na Avenida Guerra Junqueiro. Mas, além disso, a Barata faz parte desde a primeira hora da Associação de Comerciantes do bairro, que criámos em conjunto. Estivemos juntos contra o fecho do cinema Londres e é um símbolo de cultura de proximidade, um símbolo de resistência, tenacidade e amor”.

1.ª parte do Abecedário_Festival da Palavra da edição de 2021, entre os dias 11 e 12 de setembro.

Presente para o futuro

Sendo também a cultura um legado que passa de geração em geração, a tertúlia “O Futuro já começou”, torna “os jovens que nela vão participar numa componente nuclear do festival”, congratula-se Carlos Moura-Carvalho, lembrando que “é eles o futuro”. Além disso, a sua participação é também uma forma de integração na sociedade, pois, lembra o fundador do Abecedário_Festival da Palavra, “a pandemia afetou-nos a todos, mas, em especial, jovens e idosos. No caso dos jovens, com 17/18 anos, a vida mudou num ano e meio, e logo numa altura decisiva da sua vida, uma fase de escolhas, opções e novidades, ficaram em casa fechados, sem poderem conviver, namorar, descobrir ou estudar, como estavam habituados. É, por isso, muito importante ouvi-los, e que partilhem connosco e entre eles o que sentem e anteveem em relação ao futuro”.

E, por falar em futuro, perguntámos a Carlos Moura-Carvalho se já existe alguma ideia pensada para a edição 2022 do Abecedário_Festival da Palavra. “Se há algo que aprendemos neste último ano e meio é que precisamos de tempo, sendo tal uma componente decisiva. Assim, e mesmo que isso complique um pouco em relação a um ou outro possível interveniente, só iremos pensar no tema de 2022 no princípio do próximo ano. Até lá, muita coisa vai ainda acontecer.”