Os partidos que integram o Governo dos Açores (PSD, CDS-PP, PPM) mostraram-se esta quarta-feira confiantes no percurso da SATA, enquanto as restantes forças no parlamento açoriano disseram ter reservas quanto ao futuro da companhia.

Decorreu esta quarta-feira uma sessão de esclarecimento sobre a situação da companhia área SATA, à porta fechada, com o presidente do grupo, Luís Rodrigues, o líder do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, e as forças representadas na Assembleia Regional.

No final da reunião, em declarações aos jornalistas, o socialista Francisco César afirmou que a SATA está “acima de qualquer querela partidária” e disse estar satisfeito pela reestruturação da empresa conseguir “acompanhar” o aumento dos fluxos turísticos da região.

O deputado do PS mostrou-se, contudo, preocupado com o prejuízo registado pelo grupo no primeiro semestre do ano e pela possibilidade do encerramento das gateways Santa Maria, Faial e Pico caso não exista uma “alteração no modelo de obrigações de serviço público”.

Presidente da SATA desvaloriza prejuízos de 44 milhões de euros no primeiro semestre de 2021

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O líder parlamentar do PSD/Açores, Bruto da Costa, afirmou que o “grande problema da SATA é o que vem detrás”, como o “peso de juros e de divida”.

Saímos dessa reunião com a noção clara que a SATA mantém a importância, mas também de que é possível ter um futuro que não continue a pesar excessivamente no bolso dos contribuintes”, assinalou.

A centrista Catarina Cabeceiras considerou que existe uma “evolução positiva” das “reformas implementadas” na companhia e destacou que 50% dos passageiros que viajam na SATA Air Açores (responsável pelas ligações inter-ilhas) provém da Azores Airlines (que liga a região ao exterior).

O líder do PPM/Açores, Paulo Estêvão, realçou que o desequilíbrio das empresas “tem a ver com a divida acumulada“, mas destacou que a “partir do próximo ano as empresas estão perfeitamente equilibradas”.

O deputado da IL, Nuno Barata, disse não ter “garantias” de que a Azores Airlines não vai continuar a “acumular os prejuízos e a onerar os contribuintes” e defendeu que “não faz sentido pagar para continuar a aumentar a dívida” da companhia, referindo-se a aumentos de capital públicos.

O parlamentar do Chega, José Pacheco, considerou “fundamental salvaguardar” a SATA Air Açores, mas disse ter “sérias dúvidas” sobre a viabilidade da Azores Airlines.

O deputado não inscrito, Carlos Furtado, disse não ter ficado com “certezas” de que o “futuro vai ser promissor”, salientando o “peso” da SATA no orçamento regional (cerca de 5%) e as “dificuldades da conjuntura interacional” previstas para 2022.

O líder parlamentar do BE, António Lima, salientou que existem “alguns sinais preocupantes” na SATA e criticou a “indefinição” sobre o futuro da companhia que existe na “maioria que suporta” o Governo dos Açores, que considerou o “principal fator de instabilidade” do grupo.

Já Pedro Neves, do PAN, afirmou que a “linha vermelha” do partido para o futuro da transportadora são os “despedimentos de trabalhadores“, algo que não está previsto no Plano de Reestruturação.

O Governo dos Açores é suportado no parlamento pelos partidos que integram e o executivo e pela IL, o Chega e pelo deputado não inscrito.

Segundo as Demonstrações Financeiras do Setor Público Empresarial Regional, a que a Lusa teve acesso, o grupo SATA fechou o primeiro semestre do ano com um prejuízo de 44 milhões de euros.

Os resultados demonstram que, entre as empresas do grupo, a Azores Airlines registou cerca de 45 milhões de prejuízo (mais 11 milhões do que no ano passado), enquanto a SATA aeródromos teve um lucro de 281 mil euros e a SATA Air Açores um saldo positivo 528 mil euros.

O plano de reestruturação da SATA, apresentado em fevereiro, foi enviado para Bruxelas em abril e prevê que a companhia volte a ter lucros em 2023, com poupanças na casa dos 68 milhões de euros até 2025.