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A Universidade de Oxford está a iniciar os ensaios clínicos com humanos para uma nova vacina contra o vírus ébola, segundo um comunicado da universidade. Esta vacina, ao contrário das que já existem, tem como alvo duas estirpes do vírus — as que surgiram mais vezes em surtos e que, simultaneamente, são as que têm as maiores taxas de mortalidade.

As duas estirpes têm o nome dos locais onde foram inicialmente detetadas: Zaire (país que agora toma o nome de República Democrática do Congo) e Sudão. A primeira tem uma mortalidade de 70 a 90% e a segunda uma mortalidade de cerca de 50% dos infetados, segundo o jornal The Guardian.

A equipa da Universidade de Oxford vai usar a mesma tecnologia que utilizou na vacina contra a Covid-19 que desenvolveu em conjunto com a farmacêutica AstraZeneca. Com a vantagem de que já existem muitos fabricantes, incluindo nos países em desenvolvimento, capazes de produzir vacinas com estas características.

A experiência com a ChAdOx1 nCoV-19 (vacina contra a Covid-19 da Ozford/AstraZeneca) mostrou que a vacina pode ser rapidamente produzida em grandes quantidades e por baixo custo, com condições de armazenamento compatíveis com o uso em países em desenvolvimento”, disse Paola Cicconi, responsável pelo ensaio clínico no Instituto Jenner, na Universidade de Oxford.

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A vacina consiste, assim, num adenovírus (um vírus que causa constipações em chimpanzés), modificado de forma a não causar doença em humanos. Este adenovírus serve como um autocarro, mas em vez de levar os genes da proteína spike do coronavírus SARS-CoV-2 (que dá o aspeto coroado ao vírus), leva genes das proteínas do ébola — um conjunto relacionado com a estirpe Zaire e outro com a estirpe Sudão.

No interior do organismo, o adenovírus não consegue multiplicar-se, mas os genes do ébola (como os do coronavírus) usam a maquinaria celular para produzir as respetivas proteínas que colocam na superfície do adenovírus. O autocarro transforma-se assim em porta-estandarte e um alvo perfeito para os anticorpos e células do sistema imunitário.

O ensaio clínico está na fase 1 e quer recrutar 26 voluntários saudáveis para tomarem uma dose da vacina ChAdOx1 biEBOV. A monitorização dos voluntários ao longo de seis meses vai permitir perceber se a vacina é, por um lado, segura, e, por outro, capaz de desencadear uma resposta do sistema imunitário. Se essa resposta serve ou não para combater o ébola só será determinado em fases posteriores do ensaio clínico.