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A ministra da Saúde não descarta um novo confinamento nacional. “Todos os cenários têm de estar em aberto”, refere, acrescentando que está “tudo nas mãos” dos portugueses. Marta Temido aproveitou ainda para elogiar o trabalho Henrique Gouveia e Melo à frente da task force, recusando adiantar se o vice-almirante poderá voltar ao cargo.

À margem da inauguração da nova Unidade de Hemodiálise do Serviço de Nefrologia em Penafiel esta sexta-feira, Marta Temido referiu que vários países, como a Alemanha, estão a assistir a “vagas muitos evidentes”. No entanto, a governante ressalvou que, ao contrário de alguns territórios que aboliram praticamente todas as medidas não farmacológicas, Portugal manteve algumas regras, como o uso de máscara em espaços fechados ou a preferência por eventos ao ar livre.

Marta Temido indicou que, neste momento, “no contexto português”, está apenas em cima da mesa “olhar para as medidas não farmacológicas e apelar à vacinação da população elegível”, salientando, em contrapartida, que este vírus é “novo”, havendo sempre o risco de surgir uma nova variante, um “cenário perfeitamente viável”, que pode pôr em causa a proteção conferida pelas vacinas.

Enfatizando que Portugal não deseja ter uma “conversa” sobre os confinamentos, a ministra da Saúde espera pela próxima reunião de peritos, que não está ainda marcada, para obter mais informações que evidenciem que o país está “a conseguir controlar a situação”. Diz ainda que este aumento recente de casos já era expectável há algum tempo pelo “decaimento da imunidade” e pelo frio.

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Ministra elogia vice-almirante, mas não responde sobre eventual regresso da task force

Questionada pelos jornalistas sobre se a task force vai regressar, Marta Temido não deu uma resposta peremptória ao assunto, preferindo elogiar o desempenho da antiga task force da vacinação contra a Covid-19.

“Nós quando há um ano optámos por criar a task force era num cenário totalmente novo, em que era preciso vacinar massivamente a população”, refere a ministra da Saúde, acrescentando que, agora, numa fase em que Portugal atingiu os 85% de população vacinada, os desafios são outros. Para Marta Temido, a principal preocupação passa agora por “congregar o apoio da comunidade”, designadamente das juntas de freguesias e das autarquias.

A ministra foi ainda confrontada com o cenário de um eventual regresso do vice-almirante à campanha de vacinação. Voltando a não ser categórica, Marta Temido optou por elogiar o legado de Henrique Gouveia e Melo: “Liderou-nos de uma forma extraordinária, devemos-lhe muito”.

Gouveia e Melo rejeita regresso à task force e critica “sebastianismo”

Ainda agora, garante Marta Temido, existe “uma relação de proximidade” entre Gouveia e Melo e os organismos que coordenam a vacinação. Contudo, aponta que existem “várias etapas e fases” quer na campanha de vacinação, quer na “vida das pessoas”, que obrigam a tomar diferentes decisões, colocando o ónus “na adesão das pessoas à vacinação”.

Marta Temido estabeleceu ainda o dia 20 de dezembro como a data em que 70% da população com mais de 65 anos estará vacinada com a terceira dose. Sobre a nova fase da vacinação, a ministra admitiu ainda que haverá “momentos de constrangimento no acesso”, sublinhando que o país vai ter “casa aberta novamente e autoatendimentos locais”.