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Há uma “elevada probabilidade de que estas eleições resultem num governo muito parecido com o atual, que precisa de apoio de outros partidos”, antecipa a agência de rating DBRS Morningstar, numa nota difundida esta segunda-feira e que vem na linha daquilo que a mesma agência afirmou, ao Observador, na semana passada.

Esta é a agência de notação financeira que, no pico da crise da dívida, foi decisiva para Portugal porque foi a única (reconhecida pelo BCE) a nunca colocar o rating da dívida portuguesa em nível de “alto risco”. Com base nas sondagens feitas ao longo dos últimos meses – em particular uma sondagem citada pelo Politico – a agência antecipa que “as eleições não devem alterar a distribuição de assentos parlamentares de uma forma significativa”.

Embora as eleições possam atrasar os apoios orçamentais à economia, a marcação de eleições antecipadas não gera grandes preocupações de um ponto de vista do risco de crédito”, afirma o analista Jason Graffam, vice-presidente na área de ratings de emitentes soberanos.

A DBRS Morningstar nota que a economia está em recuperação e a dívida pública está numa trajetória descendente, dois fatores cruciais para uma agência que, com as suas análises de risco, tenta aconselhar os investidores em dívida pública sobre o grau de risco de cada emitente.

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Ainda assim, considera que o timing destas eleições antecipadas é “infeliz”, do ponto de vista da retoma. “Os atrasos [associados ao processo eleitoral] não deverão alterar a recuperação económica ou as tendências favoráveis que se verificam nas finanças públicas”, afirma a DBRS Morningstar, lembrando que “as últimas sondagens indicam que 66% do eleitorado apoia um dos dois partidos do centro”, numa alusão ao PS e ao PSD.

“Rating”. Agência DBRS prevê eleições “sem vencedor claro” mas acredita que próximo Governo irá manter controlo do défice

Outra agência de rating, a Fitch, decidiu na última sexta-feira manter inalterada a notação de risco da dívida portuguesa – tal como a perspetiva associada – apesar do “aumento da incerteza política” associado ao chumbo do Orçamento do Estado e a marcação de eleições antecipadas para janeiro. Essa é uma incerteza que, porém, não deverá colocar em causa o cumprimento das metas orçamentais no futuro próximo, acredita a Fitch.

Agência Fitch mantém “rating” de Portugal inalterado apesar de “aumento da incerteza política”