No espaço de uma semana, o escândalo que rebentou na equipa de futebol feminino do PSG depois da agressão a Kheira Hamraoui transformou-se, encontrou novas versões, mudou de azimute e tornou-se muito diferente: Aminata Diallo foi tratada com a grande e única culpada mas foi libertada sem acusações depois de ouvida durante mais de 30 horas, a ideia de um ex-namorado de Hamraoui estar envolvido apareceu em cima da mesa e a hipótese de esse ex-namorado ser Abidal, antigo jogador do Barcelona, foi levantada. Algo, contudo, é certo: a jogadora francesa foi agredida e ficou com graves sequelas nas pernas.

Esta quarta-feira, num novo capítulo de toda a história, o L’Équipe revela partes daquilo que a médio de 31 anos contou à polícia de Versalhes sobre o ataque. O jornal francês mostra ainda imagens inéditas do estado em que ficou uma das pernas de Hamraoui, onde é possível perceber que a jogadora tem ainda um grande hematoma na coxa para além de um golpe profundo acima do joelho. A internacional francesa foi agredida a 4 de novembro e está ainda a receber tratamento — tanto físico como psicológico, já que tem sido acompanhada por especialistas para tentar controlar a possibilidade de desenvolvimento de um trauma.

De rivalidade desportiva a vingança amorosa: como o nome de Abidal foi parar ao caso das agressões a Kheira Hamraoui

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Segundo o L’Équipe, Hamraoui contou à polícia que tudo aconteceu a escassos passos de sua própria casa e que, de dentro de uma carrinha, surgiram dois homens com máscaras de esqui pretas que gritaram: “Abre a porta! Abre a porta!”. A jogadora, que ainda estava dentro do carro de Aminata Diallo — que a tinha levado a casa — acabou por sair e ser atirada para o chão, onde foi agredida com uma barra de ferro retangular, essencialmente nas pernas. “Tentei proteger-me com as mãos tanto quanto pude”, disse a francesa, que também teve de receber vários pontos na mão direita.

Ao fim de vários minutos, os agressores fugiram: um dado que não deixa de ser algo contraditório face à versão de Diallo, que disse à polícia que toda a situação ocorreu de forma muito rápida. Ainda assim, logo depois, o departamento de segurança do PSG foi alertado e Hamraoui foi de imediato transportada para o hospital de Poissy, onde recebeu os primeiros cuidados.

O plano saído da prisão, o caminho suspeito de Diallo e a rivalidade desportiva: os novos pormenores da agressão a Hamraoui

Esta segunda-feira, o Le Monde e o Le Parisien tinham avançado com a informação de que Eric Abidal, ex-defesa que passou por clubes como Mónaco, Lille, Lyon, Barcelona e Olympiacos, onde terminou a carreira em 2014 depois de ter sido sujeito a um transplante de fígado três anos antes, tinha visto o seu nome ligado à investigação porque o cartão de telemóvel de Kheira Hamraoui estaria registado em seu nome. Um dia depois, o L’Équipe acrescentou mais alguns detalhes, entre conversas entre ambos e uma frase que terá sido dita pelos dois agressores no momento do ataque e que foi ouvida não só pela jogadora como pela própria Diallo.

Assim, como conta o jornal desportivo gaulês, a jogadora terá ligado a Abidal no dia seguinte às agressões e colocou o telefone em alta voz para que mais companheiras pudessem ouvir a conversa (incluindo Diallo e Sakina Karchaoui, que também voltou a casa de boleia nessa noite mas saiu mais cedo). Nessa chamada, Hamraoui perguntou diretamente ao antigo internacional se a sua mulher, Hayet, poderia ter organizado o ataque. Abidal respondeu com um rotundo “não”. No entanto, esta não seria a primeira vez que Hamraoui assumia o receio de que algo pudesse acontecer e foi isso que Diallo revelou, acrescentando que alguém com a alcunha “Jaja” ia sendo a figura capaz de pacificar as coisas após uma primeira alegada ameaça de Hayet Abidal quando o marido era ainda diretor desportivo do Barcelona e a médio jogava nos catalães.

Também esta terça-feira, o Le Monde avançou que Eric Abidal, bem como a sua mulher, deverão ser ouvidos pelas autoridades em breve, estando nesta altura como figuras principais do enredo que culminou com a agressão à jogadora do PSG, que falhou o confronto na Liga dos Campeões com o Real Madrid (vitória por 4-0) e também não marcou presença na recente deslocação a Lyon (derrota por 6-1). A essas suspeitas juntam-se ainda os dois depoimentos coincidentes entre Hamraoui e Diallo a propósito dos agressores encapuzados que intercetaram o carro, com um a deixar a pergunta “Então, o que se passa? Não estás habituada a homens casados?”.

Esta quarta-feira, e pela primeira vez, Kheira Hamraoui tomou uma posição pública através de um comunicado que foi difundido pelo seu advogado, Saïd Harir (onde nunca é referido o nome de Abidal). “Peço com urgência que a minha vida privada seja respeitada assim como o direito ao silêncio que tenho neste momento que é tão difícil. Espero com serenidade os desenvolvimentos da investigação para saber quem são os culpados o quanto antes e mantenho a firme intenção de voltar a representar com orgulho as cores do PSG. Os golpes que sofri foram de uma violência inusitada, sobretudo nos membros inferiores, o que deixa implícito que existia o desejo de acabar com a minha carreira profissional”, salientou a jogadora.