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A geringonça será uma solução repetível? Numa altura em que, semanas depois de a crise política ter rebentado, a dúvida persiste, Catarina Martins quis deixar uma garantia aos eleitores de esquerda: “O Bloco de Esquerda nunca permitirá com a sua força que a direita seja Governo, isso é óbvio. E nunca faltará à construção de soluções”.

Foi em entrevista à RTP3, esta quarta-feira à noite, que a coordenadora do Bloco deu algumas explicações sobre as promessas que o partido levará à campanha eleitoral que se segue. E assumiu qual é a preferência do partido: “O país precisa de um acordo forte, condicionado à esquerda”, afirmou, frisando que esse “horizonte claro” é importante para que o país tenha “estabilidade” e uma “estratégia” de governação, em vez de depender de acordos pontuais.

Questionada sobre se esse acordo poderia depender da existência de uma coligação de Governo semelhante ao que existe em Espanha, entre o PSOE e o Unidas Podemos, a coordenadora bloquista não colocou a opção de parte mas desvalorizou-a: “Assumiremos todas as responsabilidades, mas não é isso que nos move. Agora, não é por estarmos ou não no Governo que não há acordo. Essa não é a questão central”, garantiu.

E se o Bloco de Esquerda tem apostado nas críticas à hipótese de um entendimento entre PS e PSD, hipótese que António Costa — entre outros socialistas de topo — colocou em cima da mesa, nesta entrevista a líder bloquista resumiu a ideia a um “fantasma” de bloco central que é “uma boa maneira de não discutir o que interessa ao país”.

Costa dá combustível à esquerda. Bloco e PCP intensificam oposição contra bloco central

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O que “interessa” ao país, e que o Bloco incluirá no seu programa eleitoral, serão os debates sobre subir o salário médio (apostando na alteração das leis laborais, ponto de desacordo com o PS), eliminar o fator de sustentabilidade nas pensões longas, reforçar o SNS (insistindo na exclusividade dos profissionais de Saúde) e combater as alterações climáticas, frisou.

Pelo Bloco, uma série de questões que devem ser resolvidas à esquerda — a quem, confia, “não faltará vontade de criar soluções” –, até porque o partido acredita que “a direita não tem projeto para o país”.