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O antigo deputado social-democrata Agostinho Branquinho foi beneficiário de conta bancária no Banque Privée Espírito, o banco suíço do Grupo Espírio Santo, que chegou a amealhar 900 mil euros. Estes fundos tiveram origem numa segunda conta pertencente a uma sociedade offshore chama La Madelaine Holding, criada em junho de 2004 e sediada no Panamá. A notícia foi avançada esta quarta-feira pelo Público.

Segundo o Ministério Público, Agostinho Branquinho era o titular desta conta, mas Marco António Costa, antigo secretário de estado de Passos Coelho e ex-deputado do PSD, também estava autorizado a movimentá-la através de uma procuração.

Estes factos estão descritos num recurso apresentado pelo Ministério Público (MP) que tenta reverter a absolvição do antigo deputado e secretário de Estado do PSD e de outros arguidos num processo de licenciamento de um hospital em Valongo. Branquinho foi acusado pelo MP de quatro crimes, entre os quais tráfico de influência e prevaricação.

A acusação do MP refere que os 225 mil euros que Branquinho, que também foi vice-presidente coordenador da Comissão Política Nacional do PSD, recebeu em 2007 pelos donos da obra do hospital tinham sido um pagamento pela influência que o político tinha exercido junto de Fernando Melo, histórico autarca social-democrata que foi presidente da Câmara de Valongo, e de dois vereadores para alegadamente fazer vista grossa às violações às normas urbanísticas.

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António Branquinho sempre recusou estas acusações. Afirma que o dinheiro foi um empréstimo que o dono da obra, Joaquim Teixeira, seu amigo e para quem tinha trabalhado como consultor na empresa que dirigia, lhe tinha cedido para pagar uma dívida bancária relacionada com a compra de um imóvel. O antigo deputado garante que, dois anos mais tarde, o dinheiro já havia sido devolvido.

A questão é que, “se o arguido tinha quase 900 mil euros na Suíça, e rendimentos realizados de capitais no valor de 150 mil euros, no período de 2006 a 2007, por que razão pediria 225 mil euros ao arguido Joaquim Teixeira?”, questionam os procuradores, Ana Margarida Santos e Nuno Serdoura, no recurso citado pelo Público.

Contactado pelo mesmo jornal, António Branquinho, que agora é administrador do Hospital da Prelada, da Santa Casa de Misericórdia do Porto, não quis prestar declarações. Marco António Costa admitiu a “absoluta surpresa” sobre as desconfianças do Ministério Público: “Não tenho memória desse assunto, mas posso garantir que nunca movimentei nada nesses termos“, respondeu ao Público.