Os números e gráficos mostram claramente que o mundo está a entrar numa nova vaga da pandemia. A Europa é a grande responsável por esta nova vaga, diz Piotr Kramarz, cientista-chefe-adjunto do Centro Europeu de Prevenção e Controlo da Doença (ECDC), durante a conferência promovida pela Agência Europeia do Medicamento, esta quinta-feira.

Comparação de casos e mortes na Europa

Comparação de casos de infeção (azul, em cima) e mortes com Covid-19 (verde, em baixo) na Europa — ECDC

Os casos de infeção têm aumentado muito rapidamente nas últimas semanas, mas o número de mortes com Covid-19 não, diz Kramarz. “Esta discrepância, entre o rápido aumento dos casos e lento aumento das mortes, é largamente devido às vacinas.”

As vacinas previnem a transmissão, mas não a 100%, mas são muito boas a prevenir a doença grave e morte”, Piotr Kramarz, cientista-chefe-adjunto do ECDC.

A taxa de vacinação na União Europeia e Espaço Económico Europeu é de 66%, considerando a população total, 77% se forem considerados apenas os adultos.

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A baixa vacinação global, associada ao relaxamento das medidas não-farmacêuticas de prevenção da disseminação do vírus justificam a situação pandémica que se vive na Europa, afirma o especialista do ECDC.

No dia 8 de novembro de 2021, havia menos medidas implementadas, de forma geral, do que no mesmo dia de 2020 e seis meses mais cedo, a 8 de maio de 2021″, diz o especialista do ECDC.

Os países com menos de 45% dos cidadãos vacinados são aqueles que reúnem a maior parte das atuais mortes na Europa.

Relação entre a vacinação e as mortes com Covid-19 na Europa

Os países com menos de 45% vacinadas têm mais mortes que os restantes — ECDC

Uma das preocupações do ECDC é fazer aumentar a taxa de vacinação nos vários países da Europa onde os níveis de vacinação ainda são baixos. Mas Kramarz admite que há várias semanas que a taxa de vacinação atingiu um planalto e que não conseguem fazê-la subir.

Comissária europeia pede esforços “urgentes” para subir taxas de vacinação

A comissária europeia da Saúde pediu esta quinta-feira esforços “urgentes” para atingir taxas de vacinação anticovid-19 “significativamente mais elevadas” na União Europeia, que permitam maior segurança nas viagens, e exortou à administração de vacinas de reforço.

“Já vacinámos mais de 65% da população total da UE, mas isto não é suficiente. Há ainda demasiadas pessoas que não estão protegidas e, para que todos possam viajar e viver com a maior segurança possível, precisamos de atingir taxas de vacinação significativamente mais elevadas urgentemente”, apela Stella Kyriakides numa declaração enviada à imprensa europeia em Bruxelas, incluindo a Lusa.

Reagindo às recomendações atualizadas para livre circulação na UE divulgadas esta quinta-feira pelo executivo comunitário, a comissária europeia da tutela defende também um “fortalecimento da imunidade com vacinas de reforço”.

Mil milhões de doses de vacinas distribuídas até final da semana na União Europeia

Mil milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 terão sido distribuídas pelos Estados-membros da União Europeia (UE) até ao final da semana, anunciou esta quinta-feira a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

“Até ao final desta semana, a Europa terá entregado um milhar de milhão de doses aos Estados-membros”, disse Von der Leyen, apelando aos cidadãos que façam um reforço da imunização seis meses após a vacinação original, dado que “os reforços propiciam um maior grau de proteção” e irão prevenir hospitalizações e mortes.

A líder do executivo comunitário referiu ainda a necessidade de convencer aqueles que ainda não foram vacinados a fazê-lo e que representam um quarto da população adulta da UE.