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Depois do surpreendente e curto empate contra a Turquia, na primeira jornada da qualificação para o Campeonato do Mundo 2023, Portugal não voltou a tirar o pé do acelerador: a Seleção de futebol feminino somou quatro vitórias consecutivas, entre Israel, Sérvia, Bulgária e novamente Israel, e isolou-se no segundo lugar do Grupo H, apenas atrás da Alemanha. Esta terça-feira, em Faro, era dia de enfrentar as alemãs.

Com menos dois pontos do que a Alemanha, Portugal sabia que uma vitória garantia o primeiro lugar do grupo — que, no final da qualificação, poderá assegurar o apuramento direto para o Mundial que vai decorrer na Austrália e na Nova Zelândia. Contudo, Portugal também sabia tinha cinco vitórias em cinco jornadas, incluindo goleadas por 7-0 à Bulgária e a Israel e 8-0 à Turquia.

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“Mais do que aquilo que Portugal pode fazer, importa o que tem fazer se quer algo bonito no Estádio São Luís. Acima de tudo, tem de ser muito coletivo, tem de ser muito organizado e tem de ter muita capacidade de superação. Se só nos focarmos na nossa organização defensiva — que tem de ser muito boa, perfeita e nos timings certos — mas depois, quando ganhamos a bola, não a conseguirmos manter, não conseguirmos ter bola, não conseguirmos retirar a bola à Alemanha, vamos sofrer muito durante 90 minutos”, explicou Francisco Neto, o selecionador nacional, na antevisão.

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Afinal, era preciso recordar o historial: em quatro jogos contra a Alemanha, Portugal levava quatro goleadas — incluindo o 13-0 de 2003 que é também o pior resultado de sempre da Seleção Nacional. Ainda assim, Francisco Neto acreditava que o percurso recente da equipa portuguesa iria nivelar as dinâmicas e impor algum respeito a um conjunto que não perdia no apuramento para Europeus ou Mundiais desde outubro de 2017. “Temos vindo a ganhar o respeito dos nossos adversários e isso poderá sentir-se até em função do que formos capazes de fazer em campo, principalmente nos períodos iniciais. A Alemanha tem entrado sempre muito forte nos jogos e se nós conseguirmos fazer coisas boas logo de início, iremos ganhar esse respeito e iremos conseguir estar mais dentro do jogo”, acrescentou o selecionador nacional.

A antevisão dividiu-se e deu razão a um lado para tirar ao outro: se é certo que Portugal esteve bem mais dentro do jogo e conseguiu anular a discrepância gritante das partidas anteriores, também é certo que Portugal ainda não consegue chegar ao patamar das alemãs. Lea Schüller abriu o marcador à passagem do primeiro quarto de hora (15′), Svenja Huth aumentou a vantagem pouco depois (23′) e Melanie Leupolz fez o terceiro golo ainda dentro da meia-hora inicial (28′). A Seleção reduziu a desvantagem ainda na primeira parte, através de um autogolo de Merle Frohms (34′), e o resultado não voltou a alterar-se até ao fim do jogo.

Com esta derrota, a primeira na qualificação para o Campeonato do Mundo, Portugal mantém o segundo lugar do Grupo H, permanecendo essencialmente dentro das contas do playoff, mas agora a cinco pontos de distância da liderança da Alemanha. O apuramento regressa em abril do próximo ano e com um duplo compromisso na Alemanha e em casa contra a Bulgária.