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Foi o primeiro vestígio humano a ser encontrado na antiga cidade romana Herculano, vizinha de Pompeia, há anos. Os restos mortais de um homem, cuja identidade é um mistério, são uma descoberta arqueológica importante para entender a erupção do Vesúvio no ano 79 a.C. O que se sabe é que a vítima não estava à procura de abrigo: pode ter sido um soldado que estava a ajudar as pessoas a chegar em segurança ao mar ou um dos fugitivos, que “deixou o grupo abrigado nos armazéns de pescadores, para chegar ao mar com a esperança de embarcar num dos barcos salva-vidas, talvez o último e infeliz fugitivo de um grupo que conseguiu chegar ao mar”, admite Francesco Sirano, diretor do Parque Arqueológico de Herculano, à agência de notícias italiana ANSA.

De acordo com as primeiras evidências antropológicas, divulgadas em outubro, o homem tinha entre 40 e 45 anos e estava cercado por madeira carbonizada. Os ossos tinham uma cor avermelhada, “a marca das manchas deixadas pelo sangue da vítima”, esclarece o diretor do Parque Arqueológico. Foram igualmente encontrados vestígios de tecido e metal, algo que faz crer ser “uma bolsa com as ferramentas de trabalho, armas ou moedas”.

(EDITORS NOTE: Image depicts death.) Francesco Sirano,

“Ajudou grandiosamente a entender os últimos momentos da cidade, mas também os 100 anos que a antecederam”, sublinha Andrew Wallace-Hadrill, professor na Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e ex-diretor do Projeto Herculano, que colabora nas escavações, à NBC News.

O poder da natureza é absolutamente incrível e presenciar uma erupção vulcânica é inimaginavelmente violento. O local fica ali pacificamente sob o sol e parece idílico, e tens que explicar às pessoas que esta foi a erupção mais violenta”.

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O esqueleto será retirado do local e a investigação vai prosseguir em laboratório. “Tudo isto torna as escavações de Herculano únicas no mundo”, reitera Sirano.