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O regulador americano dos mercados financeiros, a SEC, abriu uma investigação ao fabricante de carros elétricos Tesla depois de ter recebido a queixa de um denunciante a alertar para a falha na comunicação aos acionistas e ao público sobre os riscos associados a defeitos no sistema de painéis solares. De acordo com uma carta da SEC (Securities Exchange Commission), citada pela agência Reuters, estas falhas de reporte por parte da empresa fundada por Eon Musk ocorreram durante vários anos.

O inquérito da SEC vem colocar mais pressão sobre o fabricante automóvel mais valioso do mundo que já enfrenta outra investigação federal a temas de segurança, nomeadamente a incidentes que envolvem os sistemas de assistência à condução. As ações da Tesla caíram esta segunda-feira mais de 6% e acumulam já uma perda superior a 20% após o recorde de preço atingido no início de novembro.

Já tinham sido noticiadas preocupações com os riscos de incêndio em painéis solares para uso residencial, mas a investigação da SEC só foi tornada pública em resposta a um pedido de Steven Henkes, um ex-revisor de qualidade da Tesla, efetuado ao abrigo da lei de liberdade de informação (Freedom os Information Act). O antigo funcionário da Tesla entregou em 2019 uma denúncia sobre os sistemas solares e solicitou à SEC informação sobre a consequência dessa queixa.

“Confirmamos com a equipa de divisão de cumprimento que a investigação sobre a qual pediu informação está ainda aberta e em curso”, respondeu a SEC em setembro a Steven Henkes, recusando no entanto o pedido para fornecer as provas recolhidas. O responsável do regulador assinalava ainda que a resposta não podia ser entendida como o reconhecimento por parte da SEC da existência de violação de regras por parte da Tesla.

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O denunciante foi despedido da Tesla em 2020 e processou a empresa alegando que a sua demissão tinha sido uma retaliação pelas preocupações de segurança que suscitou. Na queixa apresentada à SEC, Steve Henkes, que também foi revisor de qualidade na Toyota, diz que a Tesla e a empresa Solar City, adquirida em 2016, não revelaram aos acionistas a exposição a danos patrimoniais nem aos utilizadores os riscos de ferimentos. A Tesla também terá falhado ao não avisar os clientes de que conetores elétricos defeituosos em painéis solares da empresa Solar City poderiam provocar incêndios.

A empresa disse aos seus clientes que precisam de fazer manutenção de painéis solares para evitar falhas que pudessem provocar a paragem do sistema. Mas não os alertou para o risco de incêndio, nem disponibilizou a suspensão temporária para mitigar o problema, nem relatou estas situações ao regulador, refere a denúncia.

A compra da Solar City, uma empresa de equipamento solar para o segmento residencial em 2016, foi levada a tribunal por um conjunto de acionistas da Tesla que acusam Eon Musk de ter beneficiado com a operação de 2,6 mil milhões de dólares. A família de Eon Musk era também acionista da Solar City e a sua venda à Tesla terá, segundo estes acionistas, representado um resgate financeiro da empresa em benefício dos vendedores.