A Liga Europa, ou como uma competição europeia pode salvar uma época. Salvar talvez seja uma palavra demasiado forte, mas a verdade é que com uma prestação muito àquem do esperado no campeonato russo, o Spartak Moscovo de Rui Vitória tinha esta tarde uma oportunidade de apaziguar a crise, caso conseguisse seguir em frente na Liga Europa, num grupo em que, à entrada para a jornada desta quinta-feira, todas as equipas tinham hipóteses. O Spartak ia a Varsóvia defrontar o teoricamente mais fraco  Legia, com os tubarões Leicester e Nápoles a jogarem entre si.

Rui Vitória sabia ao que ia. “É um jogo de decisão e um jogo de tudo ou nada. Quer aqui, quer em Nápoles [que defrontava o Leicester]. É preciso ter os níveis de concentração muito elevados e perceber que nestes jogos os detalhes fazem a diferença. Temos que ser fortes e estar concentrados em todos os momentos do jogo”, disse o treinador ribatejano de 51 anos, que não podia contar com três jogadores, Ponce e os importantes Larsson e Sobolev.

Atualmente no nono lugar do Campeonato da Rússia, a 14 pontos do líder Zenit (com quem perdeu 7-1 há não muito tempo), assim se justificava a necessidade de um bom resultado e de uma passagem direta aos oitavos de final da Liga Europa. Até porque havia alguma moral do último jogo doméstico, em que o Spartak quebrou um jejum de sete jogos sem vencer, ao ganhar ao Akhmat Grozni, por 2-1.

Do lado do Legia há que destacar o que disse o português Josué, até porque falou pelos cinco portugueses que jogam no clube de Varsóvia. A saber: Yuri Ribeiro, André Martins, Rafael Lopes e Rui Gomes. “É uma oportunidade para mudarmos o rumo dos acontecimentos. Vamos mostrar a nossa força”, disse o médio português da equipa que também não está a ter uma boa época, ocupando o 16.º lugar do campeonato polaco.

O Spartak precisava do resultado e fez por ele muito cedo, marcando por Bakaev logo aos 17′. O resultado servia para os dois primeiros lugares, mas ser primeiro (e chegar já aos oitavos da Liga Europa era uma coisa) ou segundo (playoff) era muito diferente. A equipa de Rui Vitória foi aguentando, vendo inclusivamente o seu guarda-redes Selikhov defender bolas de golo, ver bolas nos ferros e a defender uma grande penalidade num dos últimos minutos do jogo. A equipa russa aguentou e venceu. Mas isso não bastava para o primeiro lugar. Em Nápoles, a equipa de casa aiudou e ganhou ao Leicester (3-2).

Feitas as contas, o conjunto de Rui Vitória mostrou-se, ao contrário do que acontece nas competições domésticas, muito competente na fase de grupos da Liga Europa, ao conseguir 10 pontos, os mesmos do Nápoles, mas ficando no primeiro lugar por ter vantagem no confronto com os italianos. Treinados por Spalletti, o tal que deixou Rui Vitória de mão a abanar. O português, em resposta, deixou a equipa do italiano no segundo lugar do grupo C, obrigando-os a ir a um playoff. Já diz o povo: quem ri por último…

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