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126 milhões de euros, todos sabemos. Foi quanto o Atlético Madrid pagou ao Benfica por João Félix. Também por isso, não só pelo talento e pelo potencial, a pressão em cima do português não é pouca. Nunca foi desde que chegou a Espanha devido a muitos fatores, incluindo provavelmente, mas não exclusivamente, o modelo tático e a forma de jogar de Simeone no atual campeão espanhol. Falta a afirmação e em quase todas as antevisões de jogos dos colchoneros se fala do jovem de 22 anos.

Esta quinta-feira, frente ao Athletic Bilbao, em Riade, na meia-final da Supertaça de Espanha, o português foi titular ao lado de Correa na frente de ataque, com Suárez a ficar no banco de suplentes. Logo aos 11 segundos, Félix colocou a bola na baliza numa jogada estudada de arranque de partida, mas estava fora de jogo. Sobre essa mesma titularidade, Diego Simeone já havia dito que o português “está empolgado como todos os colegas”. Mas queixou-se: “Continuar a falar do João Félix é repetitivo. É um jogador extraordinário. Tem tudo para ser um grande jogador e vai depender dele demonstrá-lo, confirmar e manter o nível, que é o mais difícil”.

Quem também falou sobre João Félix foi Guilherme Siqueira, jogador que atuou também no Benfica e no Atlético Madrid, afirmando que o português é mais um exemplo de que não basta ter qualidade”. Referindo que “Simeone deve ver muitas coisas que Félix pode potencializar”, Siqueira acrescentou que a “a parte defensiva, a parte tática, o jogo em si do Atlético de Madrid é muito exigente e o João veio do Benfica, em que é totalmente o contrário, sempre a querer jogar com a bola no pé. O Simeone joga de uma maneira diferente e o jogador tem de perceber isso”, acrescentou ainda.

Correa até do meio-campo marca. Mas não chega (a crónica do Villarreal-Atl. Madrid)

“João Félix ainda está a pagar por não perceber muito bem o jogo do Atlético e de Simeone. É um menino que faz a diferença com bola, mas nesta equipa se não correr, não defender, o Simeone não vai gostar. E aí não interessa se custou 1, 10, 100 ou 120 milhões. Se não fizer o que o treinador quer, vai ter muitas dificuldade”, disse o antigo defesa esquerdo das águias lisboetas à ESPN brasileira.

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Opinião contrária tem… Nélson Veríssimo, atual treinador do Benfica e adjunto de Bruno Lage quando este lançou e destacou João Félix no futebol nacional e internacional: “Com a maturidade que tem e como joga, vão perceber que os 126 milhões até acabaram por não ser muito para a qualidade que tem. O processo de adaptação é assim. O João sai daqui, do que era a sua casa, e vai para um clube e país novos, com uma forma de jogar diferente [esta ideia está sempre presente quando se fala de Félix e Atlético Madrid…]. Fez um percurso aqui que deixou marca, porque para além da sua qualidade também deixou marca nas pessoas pela sua forma de estar”.

Aos 5′, Correa foi protagonista de um lance perigoso na área basca, e aos 10′ Oblak parou um remate de Iñaki Williams. As equipas bem tentaram criar lances de perigo mas o que aconteceu na primeira parte, perante o estádio praticamente vazio e silencioso em Riade, na Arábia Saudita, onde se disputa a competição e com o Real Madrid, que ganhou ao Barcelona, já na final da Supercopa.

O primeiro golo do encontro viria a acontecer apenas aos 62′, já depois de Simeone mexer na equipa. E por intermédio de João Félix? Sim e não. Oficialmente foi autogolo de Unai Simon, mas foi o português a cabecear na sequência de um pontapé de canto. Excelente gesto técnico, a bola bate no poste e depois caprichosamente nas costas do guarda-redes basco. Estava feito o 1-0.

No entanto, não era para o lado de João Félix e do Atlético Madrid que a final da Supertaça espanhola estava destinada. Aos 77′ Alvarez empatou e aos 84′ o jovem Nico Williams, irmão do avançado Iñaki, que em 2015 fez história ao tornar-se no primeiro jogador negro a marcar pela equipa que só aceita jogadores ligados ao País Basco, consumou a reviravolta e atirou o Atlético Madrid para fora da Supertaça. Até ao final, o destaque até foi a expulsão de Giménez, central da equipa madrilena.

Não está fácil a vida para João Félix mas, sobretudo, está a tornar-se complicada para o ídolo do clube Diego Simeone…